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13 de setembro de 2019, 10h29

Carta Capital: Bolsonaro e Guedes distorceram dados para justificar reforma da Previdência

Diferente do que alega o governo, a nova Previdência não combate privilégios e o trabalhador mais pobre continuará recebendo salário mínimo, mas precisará contribuir cinco anos a mais para isso

O ministro Paulo Guedes - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A reportagem de capa da revista Carta Capital desta sexta-feira (13) revelou que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) manipulou cálculos sobre a Reforma da Previdência para aprovar o projeto. De acordo com análise de uma planilha obtida via Lei de Acesso à Informação, a reportagem concluiu que o trabalhador mais pobre pós-reforma continuará recebendo salário mínimo, mas precisará contribuir cinco anos a mais, ou 33% a mais para isso.

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Anunciada como “A Nova Previdência combate Privilégios”, o governo alegou que haveria redução do subsídio aos aposentados de maior renda, como alguém que trabalhou no setor privado, teve renda média de R$ 11.700,00 e que se aposentou aos 60 anos com 35 anos de contribuição. Esse mesmo trabalhador supostamente receberia benefícios de aposentadoria no valor de R$ 400 mil a mais do que contribuiu, mas a reforma da Previdência o impediria, reduzindo o subsídio para R$ 75 mil.

No entanto, aposentados por tempo de contribuição contribuem mais para a Previdência do que recebem, principalmente se aposentem cedo. “Se o próprio governo barrar a aposentadoria precoce e deixar de descontar o Fator Previdenciário, ele vai apenas adiar o pagamento da aposentadoria, mas vai pagar mais por ela no final. Vai jogar a conta para as gerações futuras, mas vai aumentar a conta”, diz a reportagem.

Portanto, a planilha do governo estava calculando, na verdade, uma aposentadoria por idade, e não por contribuição – os aposentados por idade em geral recebem mais do que contribuem, ao contrário dos aposentados por contribuição. Os cálculos simulavam, na verdade, o caso de um aposentado com 65 anos de idade e 25 anos de contribuição.

Dessa forma, o subsídio para o trabalhador mais pobre será muito menor pós-reforma. Ele continuará recebendo salário mínimo, mas precisará contribuir a mais para tal. Para salários superiores ao piso, o desconto do salário para a aposentadoria com a reforma, será, na condição mínima de 15 a 20 anos de contribuição, de 40%. Hoje é de apenas 15% para 15 anos de contribuição e de apenas 10% para 20 anos de contribuição.

A reportagem ainda aponta que esse tipo de falsificação “vale CPI”, pois são estas contas que ilustram as apresentações enganosas feitas por representantes do governo desde abril.


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