Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
21 de junho de 2018, 07h25

Caso Atibaia: Testemunha diz que força-tarefa da Lava Jato coagiu mulher e filho de 8 anos

Pedreiro diz que a criança precisa até hoje de acompanhamento psicológico em razão do trauma sofrido com a abordagem dos agentes

Foto: PT na Câmara

Testemunhas do caso do sítio de Atibaia fizeram graves denúncias ao juiz Sergio Moro contra a Polícia Federal e o Ministério Público Federal nesta quarta-feira (20). Elas afirmam que os integrantes da força-tarefa da Lava Jato cometeram crimes de abuso de autoridade para obter os depoimentos. Em um dos casos, o irmão do caseiro do sítio afirmou que a esposa e o filho de oito anos foram retirados de casa pelos agentes sem que houvesse mandado de condução coercitiva ou a presença de um advogado.

O eletricista Lietides Pereira Vieira, irmão de Élcio Pereira Vieira, o caseiro do sítio conhecido como Maradona, declarou a Moro que em março de 2016, agentes da PF e do Ministério Público retiraram sua esposa de casa às 6h da manhã para prestar depoimento. A esposa, segundo contou ao juiz, trabalha como faxineira e fez a limpeza do sítio algumas vezes a pedido de Fernando Bittar, proprietário do sítio.

“Estavam armados, com roupa tipo do exército, camuflada, e com armas na mão”. Perguntaram para ela se já tinha visto presidente Lula no sítio. Perguntaram para quem ela trabalhava. Ela disse que era para o Fernando Bittar”, contou o eletricista.

Vieira disse que a criança precisa até hoje de acompanhamento psicológico em razão do trauma sofrido com a abordagem dos agentes da PF e do MPF.

O modus operandi dos agentes da Lava Jato foi descrito por outro irmão do caseiro, o pedreiro Edvaldo Pereira Vieira. Ele contou a Moro quue foi procurado por pessoas que se apresentaram como agentes do MP. O pedreiro afirmou que a forma da abordagem provocou intimidação e constragimento. O juiz perguntou se Vieira se sentiu ameaçado pelos agentes. “Ameaçado não, doutor. Mas teve um tom bem forte, eu me senti constrangido”, retrucou o pedreiro

Reação na tribuna da Câmara

Os depoimentos das testemunhas provocaram reações quase que imediatas na Câmara. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) chamou de “sequestro” a ação dos agentes da força-tarefa da Lava Jato.

“Isso é sequestro. É coação de testemunha. Isto é o que nós temos denunciado nesta casa, o que acontece diariamente nesta ‘República de Curitiba’ por esses juízes e procuradores que rasgaram a Constituição e perderam o limite, perderam qualquer escrúpulo diante da sua sanha criminosa de perseguir a tudo e a todos em busca de seus objetivos”, disse o deputado. Esse Parlamento tem o dever de levantar uma voz e dizer basta! Em defesa da democracia e do Estado democrático de Direito, basta aos desmandos da Lava Jato!”, completou o líder da bancada petista.

O repúdio à forma de abordagem dos agentes da Lava Jato foi seguido pelo deputado Wadih Damous (PT-RJ). Ele contou que ainda naquele ano de 2016 apresentou representação contra os procuradores da Lava Jato. “São useiros e vezeiros em se valer de práticas arbitrárias fascistas de coação bem ao estilo Lava Jato”, criticou Damous.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum