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29 de agosto de 2019, 17h11

Caso do hacker: Manuela D’Ávila entrega celular para a PF e pergunta o porquê ninguém fez o mesmo

A ex-deputada, que também teve o celular invadido e foi a ponte entre o hacker de Araraquara e o The Intercept Brasil, prestou depoimento e deixou seu celular para a perícia da PF com o intuito de provar que as informações que forneceu são verdadeiras; Dallagnol, Moro e outros procuradores envolvidos na Vaza Jato se recusaram a entregar os aparelhos

Reprodução/Twitter

A ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) prestou depoimento na quarta-feira (28) à Polícia Federal de Brasília e entregou seu celular para a perícia da instituição no âmbito do inquérito que apura a invasão hacker aos celulares do ministro da Justiça, Sergio Moro, do coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e de outras autoridades.

Conforme amplamente noticiado, Walter Delgatti Netto, o “Vermelho”, que ficou conhecido como o “hacker de Araraquara”, foi preso e confessou ter invadido o celular de autoridades e vazado as conversas para o site The Intercept Brasil, que vem divulgando os diálogos através da série Vaza Jato. Manuela D’Ávila também teve o celular invadido e manteve contato com o hacker sem saber sua identidade. Ela se limitou a intermediar o contato entre Delgatti e o jornalista Glenn Greenwald, responsável pelo site The Intercept Brasil.

Há algumas semanas, Manuela já havia enviado prints das conversas que teve com o hacker à PF, mas agora deixou seu celular à disposição dos investigadores para que a veracidade das informações que passou seja confirmada. Ela prestou depoimento em condição de vítima, já que também teve o celular invadido, mas fez questão de entregar o celular para que se sane qualquer dúvida com relação à autenticidade das mensagens vazadas pelo hacker.

“Fiz isso de forma voluntária, fiz isso na condição de vítima, mas fiz isso também para contribuir para que esse caso seja esclarecido. O que há de mais importante são os crimes cometidos pelas autoridades do Estado brasileiro. Esses crimes que devem nos preocupar”, disse em vídeo compartilhado em suas redes sociais.

Em outra postagem, a ex-deputada desafiou as autoridades hackeadas e que negam o conteúdo das mensagens vazadas a também entregarem seus celulares, o que até agora não foi feito. “Ontem entreguei,voluntariamente, meu celular para a PF. Eu já havia entregue os prints de todas as conversas. Ontem entreguei as informações do telefone p q fique comprovado a veracidade das informações que prestei voluntariamente em meu depoimento. Pq ninguém mais entregou o celular?”, postou Manuela no Twitter. 

Nem russo e nem petista 

Nesta quinta-feira (29), em entrevista à Folha de S. Paulo, Walter Delgatti Neto, o hacker de Araraquara, que está preso, confirmou a apuração feita pela Fórum no mês passado afastando a possibilidade de que ele tinha qualquer vínculo político ou ímpeto de ajudar algum partido quando decidiu hackear as autoridades e vazar as mensagens.

“Vale ressaltar, mais uma vez, que nunca procurei nenhum integrante do PT e tampouco tive a intenção de vender o material. Alguém pretende provar o contrário?”, disparou Delgatti.


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