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01 de julho de 2019, 10h05

Celso Amorim: acordo entre Mercosul e UE foi fechado “no pior momento possível”

"Acho que por isso a União Europeia teve pressa. Porque sabe que estamos em uma situação muito frágil. E quando se está em uma situação frágil, se negocia qualquer coisa”, disse o ex-ministro das Relações Exteriores de Lula

Foto: Antônio Araújo / Câmara dos Deputados

Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores durante os dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considera que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi firmado “no pior momento possível” em termos do equilíbrio de forças entre as partes, em momento de “grande fragilidade negociadora”.

“O momento é o pior possível em termos da capacidade negociadora do Mercosul, porque os dois principais negociadores, Brasil e Argentina, estão fragilizados política e economicamente”, diz Amorim.

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“Acho que por isso a União Europeia teve pressa. Porque sabe que estamos em uma situação muito frágil. E quando se está em uma situação frágil, se negocia qualquer coisa. Isso me deixa preocupado. Eu temo que tenham sido feitas concessões excessivas”, diz Amorim.

Além disso, ele afirma que o alinhamento do Brasil aos Estados Unidos do presidente Donald Trump também deve ter contribuído para que os europeus se apressassem a firmar um acordo. “Com toda a adesão do Brasil (aos EUA), talvez tenham visto nisso uma oportunidade de agir logo, como quem diz, ‘vamos pegar agora o que dá, e depois a gente discute o resto'”, considera Amorim.

A seu ver, áreas sensíveis para o acordo são garantias em relação a investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais e serviços. “Espero que o Congresso examine o acordo a fundo para que a sociedade brasileira não saia prejudicada”, considera.

Dez dias antes do anúncio do acordo, 340 organizações não-governamentais pediram, em carta aberta, que a União Europeia interrompesse “imediatamente” as negociações com o Mercosul argumentando que o governo Bolsonaro estaria promovendo violações de direitos humanos, ataques às minorias e o desmonte de políticas de proteção ambiental.

O acordo anunciado incluiu em seus termos compromissos de proteção ambiental, desenvolvimento sustentável, conservação de florestas e direitos trabalhistas. Os países integrantes se comprometem a implementar as metas do Acordo de Paris – que no ano passado foi abandonado por Donald Trump – para redução das emissões de gases de efeito-estufa e contenção das mudanças climáticas.

Perguntando sobre a importância da inclusão desses termos no acordo, Amorim reage com incredulidade, afirmando que o país está longe de cumprir todos os compromissos dos quais é signatário em tratados internacionais.

“Qual é o valor disso? A gente não cumpre nem as normas da OIT (Organização Internacional do Trabalho)”, questiona o ex-chanceler. “Me espanta que os europeus acreditem nisso. Se acreditaram e aceitaram, é porque estavam com muita pressa e com muita vontade”, diz.

Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, afirmou que os detalhes do acordo só serão revelados nos próximos dias.

Com informações da BBC News Brasil


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