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05 de setembro de 2019, 18h57

“Che Guevara”: Por que os bolsonaristas consideram Augusto Aras, o novo PGR, um “esquerdista”

O núcleo mais radical do bolsonarismo não gostou da indicação de Augusto Aras para a procuradoria-geral da República; saiba o porquê

Imagens associando Aras, o novo PGR, à esquerda, circulam nas redes bolsonaristas (Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro, ao indicar Augusto Aras para o cargo de procurador-geral da República, nesta quinta-feira (5), desagradou boa parte de sua base de apoio. Movimentos liberais e de direita, como o Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre (MBL), estão lado a lado com olavistas e grupos ligados à ala mais radical do bolsonarismo na crítica a Aras.

O motivo que os une é o suposto “esquerdismo” do procurador. Para direitistas e bolsonaristas, o novo PGR tem inclinação política à esquerda pelo fato de já ter defendido a ex-presidenta Dilma Rousseff e ser um crítico do período da ditadura militar. Em uma entrevista, Aras chegou, inclusive, a citar um slogan do ex-presidente Lula: “Agora, mais do que nunca, a esperança precisa vencer o medo, porque o medo está nos conduzindo a renunciar a todos os direitos sociais que nós conquistamos a duras penas”, afirmou o subprocurador no encerramento da entrevista ao programa “Câmara Comenta , da TV Câmara de Salvador, em 2016.

O que mais causou revolta entre apoiadores de Bolsonaro, no entanto, foi uma menção feita por Aras à Che Guevara. “Pensador latino-americano que ousou sonhar”, disse o novo PGR em 2016.

O termo “Che Guevara”, inclusive, é um dos assuntos mais comentados do Twitter no início da noite desta quinta-feira (5).

Críticas dos dois lados 

Apesar dos fatos que fazem o bolsonarismo acreditar que Aras é uma pessoa de esquerda, ele é visto com um conservador dentro do Ministério Público. Fora da lista tríplice, ele se apresentou a Bolsonaro como “antissistema” e foi indicado pelo deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), integrante da bancada da bala e investigado por corrupção. Fraga, que é coronel da reserva da Polícia Militar, se reuniu por diversas vezes com o presidente para consolidar o seu favorito ao posto.

Na esquerda, também surgiram críticas à nomeação, devido ao desrespeito à lista tríplice. O deputado Paulo Teixeira se manifestou lamentando a “humilhação” feita com o Ministério Público e disse ser uma lição para os procuradores da Lava Jato. “Bolsonaro humilha o Ministério Público Federal e nomeia Augusto Aras, nome que estava fora da lista tríplice. Uma lição nos procuradores da Lava-Jato, que fizeram campanha para Bolsonaro e receberam de volta tal humilhação”, declarou.

Saiba mais sobre o novo PGR aqui.


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