Ciro Gomes anuncia João Santana como seu marqueteiro

O publicitário atuou no PT e chegou a ser preso pela Lava Jato em 2016 por lavagem de dinheiro de caixa 2

O ex-governador do Ceará e ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) usou as redes sociais para anunciar que o publicitário João Santana, ex-marqueteiro do PT, será o responsável direto por sua comunicação, possivelmente pensando nas eleições de 2022.

“Reunião de trabalho com Carlos Lupi, presidente do PDT, e com o publicitário João Santana, que nos ajuda a partir de agora na comunicação do partido”, postou Ciro.

Santana foi preso pela Lava Jato em 2016 e condenado a 8 anos e 4 meses por lavagem de dinheiro de caixa 2 na campanha de Dilma Rousseff à presidência de 2010. Porém, foi solto em outubro de 2018, após fechar acordo de delação premiada.

Em entrevista ao Roda Viva, exibido pela TV Cultura, em outubro de 2020, o publicitário disse que a prática do caixa 2 era “geral” no país e que poucas pessoas foram responsabilizadas. “O caixa 2 é uma coisa que domina. O caixa 2 não foi apenas uma unha encravada. O caixa 2 sempre foi a alma do sistema eleitoral brasileiro, era uma coisa geral. E poucos foram punidos”, declarou.

Ainda em sua explanação sobre o tema, o marqueteiro disse que a imprensa sempre soube da prática, mas não denunciava porque seria algo “cultural” e que foi normalizado. Ele ainda foi além, esquentando o clima do programa, ao afirmar que era “normal” jornalistas pedirem licença de suas empresas para trabalharem em campanhas políticas, recebendo pagamento através de caixa 2.

“Quando você vive um sistema de ruina moral, todo mundo é cúmplice e todo mundo é vítima. A imprensa sabia do caixa 2. Era costume de jornalistas tirarem licença de dois, três meses para trabalhar em campanha e ganhar o que não ganhavam o ano todo, em caixa 2”, disparou, gerando contestações dos jornalistas da bancada.

Santana ainda teceu fortes críticas àa Lava Jato, afirmando que a operação acertou ao “colocar o dedo fortemente” no caixa 2, mas que “ficou muito localizado”. Ele disse ainda que a Lava Jato foi “o melhor esquema de marketing político do Brasil” e que “alimentou a rede de ódios”.

Delação premiada

O marqueteiro revelou que fazer acordo de delação premiada foi “a pior experiência” de sua vida. “Foi uma descida ao inferno. Conflitos afetivos e morais de toda natureza. Quando você confronta isso ao seu bem maior que é a vida, você revê isso e fica pequeno. Eu só tinha duas opções: corria risco de vida, tive câncer. Tinha que escolher entre a vida ou falar a verdade. Optei pela verdade sem retoques, mas também sem dramatizações, sem mentiras”, revelou.

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Lucas Vasques

Jornalista e redator da Revista Fórum.