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12 de março de 2019, 20h26

Ciro Gomes diz que Mourão está de olho na cadeira de Bolsonaro: “Só um pato não vê”

Em entrevista, o ex-ministro, para além das já habituais críticas ao PT, disparou contra o governo de Jair Bolsonaro, a quem ele chamou de "irresponsável"

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), disse em entrevista na noite desta terça-feira (12) à jornalista Maria Lydia Flândoli, da TV Gazeta, que o vice-presidente, Hamilton Mourão, tem interesse de se tornar presidente no lugar de Jair Bolsonaro.

Candidato à presidência nas eleições do ano passado, Ciro questionou a mudança de postura do militar desde que assumiu a vice-presidência do Brasil. “O Mourão está de olho na cadeira do Bolsonaro. Isso só um pato não vê. Ele agora é o doce, é o moderado. Ele está sendo trabalhado pelo marketing para a prevalência de uma hegemonia militar que vem se desenhando de um tempo pra cá”, analisou, chamando a atenção para o fato de que nem ele e nem qualquer general do governo comentou a entrega da Base de Alcântara, no Maranhão, para os militares dos Estados Unidos e nem mesmo a venda da Embraer, fatos que atingem diretamente a soberania nacional.

“E eu vou acreditar que ele tá preocupado com democracia e em moderar o Bolsonaro?”, questionou.

Na mesma entrevista, o ex-governador do Ceará voltou a chamar os membros do governo Bolsonaro de “boçais” e criticou algumas políticas que vêm sendo adotadas, como a confrontação com a China que fez com que o país asiático retirasse a preferência de compra de soja do Brasil e a transferisse para os Estados Unidos. Para Ciro, atitudes como essa são “irresponsáveis”, assim como a posição do governo Bolsonaro com relação à intervenção norte-americana na Venezuela.

“É tudo picaretagem do serviço de inteligência norte-americano. E olha que condeno pesadamente o regime Maduro. Mas daí o Brasil fazer a violação da unidade latino-americana…”, pontuou, citando o episódio em que foi flagrado que opositores de Maduro que, na verdade, queimaram um caminhão de ajuda humanitária no último final de semana.

Sobre sua convivência com Bolsonaro quando foi deputado federal, entre 2003 e 2006, o pedetista disse que nunca imaginou “que ele tivesse a capacidade de chegar à presidência e ali se comportar como um adolescente de 13 anos”.

A culpa é do PT 

Seguindo o padrão que adotou desde a campanha eleitoral do ano passado, o ex-ministro desferiu inúmeras críticas ao PT e principalmente ao ex-presidente Lula e à cúpula do partido.

Ele reafirmou que a agremiação virou “uma organização criminosa” e atribuiu ao partido a vitória de Jair Bolsonaro. “Havia uma onda contra o PT. Aí teve a candidatura fraudulenta do Lula, criaram um teatro (…) O Bolsonaro é produto do PT”, disparou.

Mais cedo, a presidenta do partido, deputada federal Gleisi Hoffmann, rebateu as mesmas críticas de Ciro Gomes feitas durante um evento em São Paulo nesta segunda-feira (11). “Ciro Gomes é um coronel oportunista, ressentido e covarde. Quando a conjuntura exigia sua presença, fugiu para Paris. Está à espreita de crises para se apresentar como salvador da burguesia e sistema financeiro. Por isso ataca Lula, PT, nossas lideranças”, disse a petista.

 

 


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