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08 de maio de 2020, 06h47

Clube Militar do RJ ameaça ministro Celso de Mello, do STF: Engrenagem fora do contexto democrático

Em nota, clube que foi presidido pelo general Hamilton Mourão os militares da reserva defendem ainda os atos golpistas com a participação de Bolsonaro, afirmando que "não se pode dizer que esses movimentos são antidemocráticos"

General Eduardo José Barbosa, que substituiu Hamilton Mourão na presidência do Clube Militar (Montagem)

O Clube Militar do Rio de Janeiro emitiu nesta quinta-feira (7) uma nota de repúdio em que ataca duramente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que em decisão no início da semana autorizou oitiva de autoridades mesmo que seja necessária condução coercitiva ou “debaixo de vara” no inquérito que investiga as denúncias feitas pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro.

“São páginas e mais páginas de ilações e comentários completamente desnecessários, utilizados tão somente para demonstrar seu ódio pelo governo federal e pelos militares”, diz o texto da caserna de militares da reserva, que foi presidido pelo vice-presidente, General Hamiton Mourão (PRTB) até seu nome ser lançado como vice na chapa com Bolsonaro nas eleições de 2018.

Na nota, assinada pelo general Eduardo José Barbosa, presidente do clube, os militares da reserva defendem ainda os atos golpistas com a participação de Bolsonaro, afirmando que “não se pode dizer que esses movimentos são antidemocráticos”.

“Podemos, sim, afirmar que existem engrenagens do sistema que estão atuando fora do contexto democrático. O referido despacho do Ministro, bem como outras interferências indevidas e omissões entre os Poderes, bem demonstram essa afirmação”.

Leia a nota na íntegra

NOTA DE REPÚDIO

Clube Militar
Rio de Janeiro, 07 de maio de 2020

Gen Div Eduardo José Barbosa
Presidente do Clube Militar

O Clube Militar repudia enfaticamente o despacho exarado ontem pelo Ministro Celso de Mello, do STF, no inquérito que apura denúncias do Ex-Ministro da Justiça e Segurança Pública contra o Presidente da República.

Em primeiro lugar, depreende-se que existe ali quase que uma defesa de tese para alunos universitários. São páginas e mais páginas de ilações e comentários completamente desnecessários, utilizados tão somente para demonstrar seu ódio pelo governo federal e pelos militares.

Quanto ao despacho em si, “parabéns” ao Sr Ministro ao discorrer sobre a publicidade que deve ser dada às investigações, particularmente quando envolve autoridades públicas. Quem sabe essa afirmativa sirva, por exemplo, para tornar públicos alguns inquéritos sigilosos que tramitam no próprio Supremo? Ou aquelas investigações envolvendo os próprios Ministros e seus parentes, “amigos” e Congressistas?

No entanto, a maior falta de habilidade, educação, compostura e bom senso, desejáveis em um Ministro de uma Alta Corte, é, no tocante à forma como trata todas as testemunhas arroladas para depor, considerá-las como se fossem bandidos da pior espécie. Tal tratamento deveria, sim, por justiça, ser dispensado aos réus de um processo, inclusive àqueles que roubaram nosso país e que andam soltos por aí por leniência dessa própria Corte! Estes, sim, merecem ser conduzidos “debaixo de vara”.

Tratar autoridades de um outro Poder dessa forma leviana só demonstra o nível de Ministros do STF que temos em nosso País. Particularmente no tocante aos nossos Generais Ministros, a capacidade profissional que demonstraram ao longo de suas carreiras dispensa qualquer defesa, pois nenhum chegou ao topo da carreira militar por indicações políticas e/ou ideológicas, mas tão somente pelo mérito, caracterizado, entre outros atributos, pela dedicação à Pátria.

A Democracia se caracteriza pela independência e harmonia entre os três poderes e o grande fiscal desse sistema é a população. Assim, quando vemos manifestações, cada vez com maior frequência, contestando a atuação de qualquer um dos poderes da República, não se pode dizer que esses movimentos são antidemocráticos. Podemos, sim, afirmar que existem engrenagens do sistema que estão atuando fora do contexto democrático. O referido despacho do Ministro, bem como outras interferências indevidas e omissões entre os Poderes, bem demonstram essa afirmação!


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