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03 de junho de 2019, 11h00

Com críticas ao Inpe, Ricardo Salles quer privatizar monitoramento do desmate na Amazônia

Ministro do Meio Ambiente culpa o instituto estatal pela ineficácia no combate ao desmatamento e pretende contratar a empresa paulista Santiago & Cintra, que neste ano já esteve ao menos duas vezes no ministério para tratar do assunto

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro (Reprodução/Facebook)

Reportagem de Fabiano Maisonnave, na edição desta segunda-feira (3) da Folha de S.Paulo, revela que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pretende trocar o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) por uma empresa privada para monitorar o desmatamento da Amazônia.

Salles estaria culpando o instituto estatal pela ineficácia no combate ao desmatamento e pretende contratar a empresa paulista de geoprocessamento Santiago & Cintra, que neste ano já esteve ao menos duas vezes no ministério para tratar do assunto.

Na Amazônia, a empresa foi contratada pelo governo do Pará, que continua sendo o estado mais problemático do país. No ano passado, o Pará foi novamente o campeão de área desmatada, com 2.840 km2. Houve um aumento de 17% da área em relação ao ano anterior, taxa só abaixo à de Roraima.

Os números são do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), do Inpe, e referentes ao período agosto de 2017 e julho de 2018.

Ineficácia do governo
Do começo do ano até 15 de maio, o Inpe enviou aos órgãos ambientais de fiscalização 3.860 alertas de desmatamento via Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter-B), do Inpe. Uma média de 28,6 alertas/dia.

A fiscalização do Ibama, no entanto, realizou apenas 850 autuações por alteração da flora emitidas pelo Ibama na Amazônia Legal no mesmo período, ou 6,2/dia.

Um dos principais focos de ações do Ibama até o ano passado é a região da BR-163, no oeste do Pará, uma das áreas mais críticas de desmatamento ilegal da Amazônia.

Ao contrário dos anos anteriores, quando Ibama tinha uma presença quase permanente na região, a base de Novo Progresso (PA) está vazia —houve apenas uma operação do órgão federal ambiental neste ano ali.

A região era uma das prioridades do GEF (Grupo Especializado de Fiscalização), a unidade de elite do Ibama. Sob Bolsonaro, porém, até agora não houve nenhuma operação na Amazônia.


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