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14 de maio de 2019, 12h37

Com faixa de Marielle, Movimento Negro interrompe homenagem a Princesa Isabel na Câmara

Com faixa com o rosto da vereadora Marielle Franco (PSol/RJ), assassinada por milicianos no Rio de Janeiro, e gritos de "parem de nos matar", os integrantes do movimento negro entraram no plenário durante a sessão. Os apoiadores da homenagem feita por Eduardo Bolsonaro e Luis Phillipe de Orleans e Bragança chamaram a manifestação de "vitimismo" e "mimimi"

Movimento Negro protesta em homenagem a Princesa Isabel na Câmara (Agência Câmara)

Integrantes do Movimento Negro ocuparam o plenário da Câmara Federal e interromperam na manhã desta terça-feira (14) a sessão solene proposta pelos deputados Eduardo Bolsonaro e Luis Phillipe de Orleans e Bragança, do PSL/SP, em homenagem à Princesa Isabel pelos 131 anos do ato sancionada pela monarca que oficializou a abolivação da escravatura.

Com faixa com o rosto da vereadora Marielle Franco (PSol/RJ), assassinada por milicianos no Rio de Janeiro, e gritos de “parem de nos matar”, os integrantes do movimento negro entraram no plenário durante a sessão. Os apoiadores da homenagem chamaram a manifestação de “vitimismo” e “mimimi”.

De um lado, simpatizantes da monarquia gritavam o nome da Princesa Isabel. De outro, os manifestantes bradavam por Marielle. A sessão precisou ser interrompida por alguns minutos.

A deputada Talíria Perone (PSol/RJ) publicou em seu Twitter uma mensagem sobre o ato. “Momento em que o movimento negro interrompeu a sessão solene em “homenagem” à Lei Áurea que foi convocada pelos deputados Oleans Bragança e Eduardo Bolsonaro. Não veio das mãos de Isabel! Resistência! #FalsaAbolição”.

Herdeiro da monarquia
A sessão solene em homenagem à Princesa Isabel foi convocada pelo filho de Jair Bolsonaro e pelo “herdeiro” do trono, trineto da monarca. “Há 131 anos, minha trisavó, Princesa Isabel do Brasil, assinou a Lei Áurea, que decretou a libertação dos escravos no país. Convido a todos para uma sessão solene que prestará homenagem”, tuitou o deputado Orleans e Bragança, com imagem do convite.

A data em que oficialmente foi decretado o fim da escravidão no Brasil, no entanto, não é comemorada pelo movimento negro. A razão é o tratamento dispensado aos que se tornaram ex-escravos no País.

“É desrespeitoso com a luta histórica dos movimentos negros e incompatível com os princípios constitucionais de igualdade e não discriminação a celebração da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel no dia 13 de maio”, afirmam Elisiane Santos e Ludmila Reis Brito Lopes, procuradoras do Trabalho, integrantes do Grupo de Trabalho de Raça da COORDIGUALDADE – Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho do Ministério Público do Trabalho, em artigo no portal Geledés nesta segunda-feira (13).


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