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17 de junho de 2019, 16h09

Comunidade acadêmica denuncia e protesta contra intervenção do MEC na UFGD

Nomeação da reitora 'pro tempore' (temporária) Mirlene Ferreira Macedo Damázio foi feita sem discussão com o órgão colegiado: “Fere a democracia e a autonomia da universidade”, diz o professor Tiago Botelho

Fotos: Divulgação

A política devastadora que o governo de Jair Bolsonaro está aplicando para o setor da educação segue fazendo vítimas. Professores, alunos, funcionários administrativos da Universidade Federal da Região da Grande Dourados (UFGD), no Mato Grosso do Sul, além de representantes do movimento sindical, estão, desde a manhã desta segunda-feira (17), no prédio II da instituição, promovendo novo protesto contra a intervenção imposta pelo Ministério da Educação (MEC).

No último dia 10, foi indicada para reitora pro tempore (temporária) a professora Mirlene Ferreira Macedo Damázio. A nomeação é tratada como intervenção do MEC na autonomia da UFGD, pois a decisão foi tomada sem discussão com o órgão colegiado da universidade.

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Segundo o professor Tiago Botelho, da Faculdade de Direito e Relações Internacionais da UFGD, a universidade pública está vivendo um desmonte.

“A UFGD é o ensaio para o que vai acontecer com as demais universidades, pois somos a primeira a fazer consulta prévia e enviar a lista tríplice no governo Bolsonaro. Esta nomeação pro tempore, sem diálogo com a comunidade acadêmica, fere a democracia e a autonomia da universidade, dispostas na Constituição Federal”, avalia o professor.

“A professora Mirlene, nomeada pelo governo federal, trabalhou ferrenhamente na campanha da chapa à reitoria que ficou em terceiro lugar na consulta, fortemente apoiada por bolsonaristas”, revela Botelho.

Ainda de acordo com o professor, a UFGD tem o Conselho Universitário (Couni), sua instância máxima, que sequer foi ouvido. “Não teve diálogo com a comunidade. Foi uma nomeação de cima para baixo ferindo a bonita história da UFGD”, ressalta.

Lista tríplice

O MEC ignorou a lista tríplice elaborada depois de consulta prévia à comunidade universitária. Formada pelos professores Etienne Biasotto, Jones Dari Goettert e Antônio Dari Ramos, a relação foi enviada em março pela UFGD, mas devolvida pelo MEC, que apontou irregularidade na escolha dos nomes.

Em maio, a Justiça Federal chegou a suspender a lista tríplice a pedido do Ministério Público Federal (MPF). No entanto, duas semanas depois revogou a medida.

“Nós resistiremos e seguiremos lutando para restabelecer a democracia de nossa universidade. A UFGD é maior que seus interventores”, completa Botelho.


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