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21 de maio de 2018, 17h43

Congressistas europeus divulgam nota convocando reação contra prisão de Lula

Documento assinado por mais de 30 parlamentares de inúmeros países da Europa faz críticas à parcialidade do Judiciário brasileiro, denuncia complô da mídia e ação indevida do Exército

Foto: PT na Câmara

Um grupo de parlamentares europeus de diversas tendências divulgou uma nota condenando a prisão do ex-presidente Lula, afirmando que nenhum democrata pode ficar indiferente ao golpe de Estado de 2016 no Brasil, nem tampouco à prisão sem provas de Lula, isolado em uma cela na sede da Superintendência da Polícia Federal desde 7 de abril. A nota, assinada por mais de 30 parlamentares de países como França, Irlanda e Espanha, critica a parcialidade do Poder Judiciário brasileiro, a imprensa e até o Exército Brasileiro, que teria aproveitado o caos para interferir em questões políticas. O documento encerra convocando os democratas do mundo inteiro a reagir “à detenção arbitrária do ex-presidente Lula”.

O documento dos congressistas se junta a outra nota, divulgada por seis ex-chefes de Estado de países europeus, em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu direito de participar da eleição de 2018.

Acompanhe a íntegra da nota:

Lula e o Brasil: uma situação alarmante

Nós, políticos europeus de diversas tendências, estamos particularmente inquietos com a prisão arbitrária do ex-presidente Lula da Silva, detido desde 7 de abril último, na cidade de Curitiba, PR. Após o Golpe de Estado institucional contra Dilma Rousseff, em 2016, a recente prisão de Lula, sem provas, não pode deixar nenhum democrata indiferente. A quantas anda o respeito ao Estado de Direito no Brasil?

Levando-se em conta que as eleições presidenciais devem acontecer em outubro de 2018, Lula representa uma alternativa para numerosos brasileiros e brasileiras face à crise que o país atravessa atualmente. Sob esse ponto de vista, ele é incômodo para aqueles que tomaram o poder e que não pretendem abandonar seus cargos.

O simulacro de processo contra Lula revelou igualmente a parcialidade de uma parte do Ministério Público e do Poder Judiciário brasileiro. Ele deu-se com o apoio dos grandes meios de comunicação e de parte do exército, que aproveitou para interferir nas questões políticas e judiciárias em curso, o que é muito preocupante em um país ainda marcado pelos estigmas da ditadura militar que se estendeu de 1964 a 1985.

Esta detenção de Lula ocorreu em um contexto político particularmente tenso no Brasil, que teve como ponto culminante o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, no dia 14 de março passado, em meio à escalada de violências que assola o Brasil, das favelas ao mundo político. Em 27 de março último, a caravana do ex-presidente Lula foi, aliás, alvo de tiros quando de sua passagem pelo Sul do país.

Nenhuma oposição política poderia justificar a denegação democrática que reina hoje no Brasil. Nenhum processo judiciário deve ser utilizado para fins políticos, a fim de reduzir ao silêncio um líder carismático porque este incomoda. Se a luta contra a corrupção é legítima e essencial, ela não deve ser travada em detrimento da presunção de inocência e do respeito à Constituição.

É por isto que convocamos os democratas do mundo inteiro a reagir e nos associamos a todas as forças políticas, sindicais e sociais, bem como a todos os brasileiros e brasileiras que se oponham à detenção arbitrária do ex-presidente Lula.

Assinam o documento:

Laurence Cohen, Senadora, PCF, França; Martina Anderson, Deputada europeia Sinn Féin, Irlanda; Eliane Assassi, Senadora, Líder da bancada comunista no senado, França; Clémentine Autain, Deputada, FI, França; Esther Benbassa, Senadora, EELV, França; Ugo Bernalicis, Deputado, FI, França; Eric Bocquet, Senador, PCF, França; Lynn Boylan, Deputada europeia, Sinn Féin, Irlanda; Alain Bruneel, Deputado, PCF, França; Matt Carthy, Deputado Europeu, Sinn Féin, Irlanda; Luc Carvounas, Deputado, PS, França; André Chassaigne, Deputado, PCF, Líder da bancada comunista na Assembleia Nacional, França; Pierre-Yves Collombat, Senador, Esquerda, França; Eric Coquerel, Deputado, FI, França; Nikos Chountis, Deputado Europeu, Unidade Popular, Grécia; Javier Couso Permuy, Deputado europeu, Izquierda Unida, Espanha; Cécile, Cukierman, Senadora, PCF, França; Pierre Dharréville, Deputado, PCF, França; Caroline Fiat, Deputada, FI, França; Elsa Faucillon, Deputada, PCF, França; Eleonora Forenza, Deputada europeia, Altra Europa con Tsipras, Italia; Fabien Gay, Senador, PCF, França; Guillaume Gontard, Senador, Esquerda, França; Tania Gonzalez Peñas, Deputada europeia, Podemos, Espanha; Michelle Gréaume, Senadora, PCF, França; Patrice Joly, Senador, PS, França; Michel Larive, Deputado, FI, França; Joël Labbé, Senador, Ambientalista, França; Pierre Laurent, Senador, PCF, Secretário nacional do PCF, França; Jean-Paul Lecoq, Deputado, PCF, França; Patrick Le Hyaric, Deputado europeu, PCF-Frente de Esquerda, França; Serge Letchimy, Deputado, PPM, França; Marie-Noëlle Lienneman, Senadora, PS, França; Paloma Lopez Bermejo, Deputada europeia, Izquierda Unida, Espanha; Edouard Martin, Deputado Europeu, PS, França; Emmanuel Maurel, Deputado Europeu, PS, França; Luke Ming Flanagan, Deputado europeu, Independente, Irlanda; Liadh Ní Riada, Deputada europeia, Sinn Féin, Irlanda; Danièle Obono, Deputada, FI, França; Pierre Ouzoulias, Senador, PCF, França; Stéphane Peu, Deputado, PCF, França; João Pimenta Lopes, Deputado europeu, PCP, Portugal; Loïc Prud’Homme, Deputado, FI, França; Christine Prunaud, Senadora, PCF, França; Adrien Quatennens, Deputado, FI, França; François Ruffin, Deputado, FI, França; Pascal Savoldelli, Senador, PCF, França; Neoklis Sylikiotis, Deputado Europeu, AKEL, Chipre; Estefanía Torres Martinez, Deputada europeia, Podemos, Espanha; Marie-Christine Vergiat, Deputada europeia, Frente de Esquerda, França; Marie-Pierre Vieu, Deputada europeia, PCF-Frente de Esquerda; França e Dominique Watrin, Senador, PCF, França.

Traduzido pelo Coletivo Alerte France Brésil

Com informações da CUT


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