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24 de setembro de 2019, 11h48

Congresso perplexo com o discurso de Bolsonaro na ONU: “nos envergonha como país”

Após exaltar o golpe de 1964, ele afirmou que a "ditadura cubana trouxe ao Brasil médicos sem comprovação médica". No Congresso parlamentares surpresos, pois esperavam um discurso mais conciliatório

Foto: Reprodução/Youtube

Antes que os 30 minutos de discurso na Assembleia Geral da ONU terminasse, a internet já estava dominada pela hastag #BolsonaroEnvergonhaoBrasil nesta manhã de terça-feira (24). Enquanto o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, expunha mensagens de cunho ideológico que marcaram sua fala, congressistas e políticos de diferentes correntes se revezaram na redes sociais para demonstrar contrariedade ao posicionamento apresentado na organização intergovernamental.

Para o vice-presidente nacional do PT, Paulo Teixeira (SP), a saia-justa diplomática com Cuba, cuja delegação deixou se retirou da Assembleia, após o presidente brasileiro afirmar que os médicos que integravam o programa Mais Médicos seriam infiltrados”, gerou mal estar na ONU.

“Após Bolsonaro atacar Cuba, dizendo em discurso que os médicos do programa Mais Médicos não tinham comprovação nenhuma e eram escravizados, delegação cubana deixa parlamento da ONU”, lamentou.

“Vergonha absoluta! Um presidente estúpido é o que temos. Presidente Jair Bolsonaro desperdiçou excelente oportunidade de falar sobre o Brasil para o mundo. Se ateve, ao contrário, a seus recalques ideológicos, preconceitos e boçalidades políticas. Também aproveitou para mentir”, opinou o vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA).

Deputada federal pelo PSOL-SP, Sâmia Bonfim afirmou que “Jair Bolsonaro usou a tribuna da ONU para atacar ONGs, cientistas, ativistas dos direitos humanos e a própria democracia brasileira. Agressivo, negou o inegável a respeito do desmatamento na Amazônia. Chegou a dizer que os indígenas também fazem queimadas”.

A candidata à vice-presidência pelo PSOL, a ex-deputada federal Manoela D’Ávila (RS) usou seu perfil para apontar o retrocesso no tom adotado por Bolsonaro.

“Após o discurso de Bolsonaro na ONU, concluí que estamos em 1963 já que tudo se justifica pelo medo da “infiltração de agentes cubanos”. Ele anunciou 1) o fim do programa mais médicos q atendia aos mais pobres do país; 2) que os nativos brasileiros são seres humanos; 3) que  a vergonha não tem fim”, escreveu.

O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) classificou como “vergonhoso” o discurso de Bolsonaro

“O Brasil nunca passou tanta vergonha na ONU! Bolsonaro foi até lá culpar nossos indígenas pela sua gestão ridícula da crise na Amazônia, atacou nações que nos ofereceram ajuda, defendeu a ditadura militar e esbravejou asneiras ideológicas diante do mundo! Vexame!”, escreveu em seu Twitter.

Representante do PT-MG, o deputado federal Leonardo Monteiro chamou a atenção para o teor fascista do discurso.

“Bolsonaro volta a despejar idiotices e deixa a Assembleia da ONU em silêncio, perplexa. Diz que médicos cubanos implantam ditaduras. O que implanta ditaduras são valores fascistas que líderes como você fizeram ao longo da história”, disse.

Outro a apontar a precariedade do discurso foi o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ). Em suas redes, ele criticou o desrespeito do atual chefe de estado com os demais representantes da ONU e a humilhação vivida pelo Brasil.

“Bolsonaro mostra sua pequenez política em discurso perante todo o mundo. Ataca países, desrespeita nossa soberania e nos envergonha como país. Tenta transformar a ONU em mais um palanque para realizar sua disputa ideológica”, disse.


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