“Conversa de procuradores ou de gente do PCC?”, diz Gilmar Mendes sobre diálogos da Lava Jato

Ministro do STF disse que diálogos são "chocantes" e defendeu que integrantes da força-tarefa abandonem seus cargos

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comparou os procuradores da força-tarefa da Lava Jato com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do Brasil. O comentário foi feito em entrevista à Tribuna do Norte, publicada neste domingo (28).

“O conteúdo das mensagens às vezes dão asco. A ideia, por exemplo, de transferir alguém para um presídio, para que fale ou delate; de alongar a prisão. Veja essa delegada que teria falsificado depoimento. O que isso significa? Conversa de procuradores ou é conversa de gente do PCC? Tudo isso é muito chocante”, disse o ministro, referindo-se à delegada Erika Marena, que falsificou um depoimento de testemunha e foi acobertada por procuradores.

Gilmar Mendes então defendeu que os procuradores abandonem seus cargos. “Deviam pedir desculpas às pessoas e irem para casa, porque não são mais dignos de estarem nos locais onde estão. Como é que vão continuar denunciando pessoas?”, questiona.

Na entrevista, o ministro do STF também criticou a imprensa brasileira por ter apoiado práticas ilegais de procuradores. “A mídia de alguma forma foi aliada desse modelo, que se imaginava estar renovando o Brasil. Hoje estamos aprendendo que no fundo eram uns tiranetes, sujeitos que tinham pouca visão da democracia, pouco compromisso com o Direito e, certamente, muito interesse no seu próprio empoderamento”, afirmou o ministro.

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Luisa Fragão

Jornalista.