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26 de setembro de 2018, 17h00

Corrida de militares no Rio de Janeiro tem apoio a Bolsonaro

O “Corridão do Cazuca” na praia de Copacabana, em homenagem a um sargento morto durante uma operação em favela carioca, tomou contornos políticos com gritos de apoio a Bolsonaro de militares e civis que corriam de calça militar e coturno. Assista

Reprodução/Facebook

No último domingo (23) foi realizado, na orla da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, o “Corridão do Cazuca”, um evento de homenagem à militares e policiais mortos na “guerra contra o narcotráfico” no estado. O ato tem como mote o assassinato, em fevereiro deste ano, do sargento do Exército Bruno Albuquerque Cazuca, durante arrastão na zona oeste da capital fluminense.

Sem camiseta, com calças militares e coturnos, centenas de homens correram gritando palavras de ordem como “Cazuca” e “Brasil”. O que seria uma manifestação apenas em homenagem a militares mortos, no entanto, acabou tomando contornos políticos. Inúmeros vídeos publicados nas redes sociais mostram os homens gritando palavras de apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), como “mito”, “Bolsonaro” e “dezessete”, em referência ao número eleitoral do capitão da reserva. [Confira os vídeos ao final da matéria]

Por conta dos trajes e das palavras de ordem, que muito se assemelham às do Exército, os vídeos se espalharam rapidamente pelas redes sociais, com internautas questionando a postura, visto que militares da ativa são proibidos por lei de se manifestar politicamente.

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No evento de divulgação do ato nas redes sociais, os organizadores convocaram para a corrida civis, militares e policiais, sem fazer referência à partidos políticos ou ao candidato Bolsonaro. Muitos dos que passaram pelo evento fizeram postagens nas redes com referência à participação de policiais e bombeiros do Rio de Janeiro. O flyer de divulgação informa ainda que um dos organizadores do ato é a Associação Internacional de Veteranos Militares.

Flyer de divulgação do “Corridão do Cazuca”

À Fórum, o Comando Militar do Leste, responsável pelo Exército no Rio de Janeiro, informou por meio de nota que o evento não contou com a participação de militares da ativa. Já um contato identificado como Edmar, que seria um dos organizadores da corrida, disse à reportagem que participaram do ato cerca de 500 militares, entre ativos e da reserva, e 200 civis.

“Versão tropical dos Freikorps”

Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), chegou a comparar o ato de militares em encampar apoio à Jair Bolsonaro com grupos paramilitares da Alemanha pré-nazismo.

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De acordo com o professor, o ato lembra as exibições dos Freikorps, que seriam grupos paramilitares formados por militares desempregados que saiam pelas ruas atacando gays, judeus e comunistas e que teriam criado o caldo cultural para a ascensão do nazismo.

“Peço a vocês que gastem um minuto e 17 segundos para assistirem o vídeo abaixo. É a praia de Copacabana, há poucos dias. Trata-se de um bando de marginais e lúmpens, recrutados pela campanha do Boçal. São a versão tropical dos Freikorps, grupos de vândalos paramilitares, surgidos na Alemanha, a partir dos escombros da I Guerra Mundial, entre 1918-20. Eram militares desempregados e a escória social que brotou da crise pós-Versalhes. Sua especialidade: sair pelas ruas, atacando comunistas, gays, judeus e manifestações populares. Criaram o caldo de cultura no qual floresceu o nazismo”, escreveu Maringoni.

Confira, abaixo, vídeos que mostram os participantes da corrida encampando apoio à Bolsonaro


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