CPI: Entidade parceira da Senah é liderada por sujeito que reivindica ser “Super-Homem”

"Estamos diante de falsários e estelionatários", afirmou o senador Jean Paul (PT), que destacou a história do "candidato" a super-herói

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) levantou uma história curiosa durante a CPI do Genocídio nesta terça-feira (3). O parlamentar destacou na CPI que o líder de uma entidade ligada à organização evangélica Senah, do reverendo Amilton Gomes de Paula, reivindica ter os poderes do herói de quadrinhos Super-Homem.

O reverendo Amilton presta depoimento à comissão neste terça-feira. A organização do pastor participou como segunda intermediária das negociações do Ministério da Saúde com a Davati Medical Supply pela suposta compra de vacinas AstraZeneca. Prates criticou a utilização de logotipos da Organização das Nações Unidas (ONU) e de entidades que emulam legitimidade nos documentos da Senah.

ONU?

“Eu queria abrir aqui um capítulo desta sessão para esclarecer sobre um fenômeno que é bem maior até do que o próprio processo que nós estamos avaliando, que é a existência de entidades que eu chamaria de ‘protoentidades’ e de personalidades mitômanas que assolam o País há algum tempo. Um fenômeno que acontece junto a governadores, secretarias, prefeituras, ministérios, Presidente da República, e me parece que, quanto mais medíocre e inepto é o governo, mais ele se torna suscetível a essas mitomanias”, disse o senador na CPI.

Prates criticou o fato de essas entidades serem bem recebidas nas dependências do governo enquanto empresas como a Pfizer foram negligenciadas. “Isso é uma inversão muito séria e que não pode prevalecer porque a decorrência disso é o crime de falsidade ideológica e o crime de estelionato, além de corrupção. Porque essas entidades são usadas pra passar um verniz, legitimar alguma coisa. A Senah, que já tem um nome enganoso por si só, Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários… Qual a autorização internacional que ela tem?”, prosseguiu.

Amilton alegou que está inscrito no Conselho Económico e Social das ONU (ECOSOC) e, por isso, utiliza logotipo da organização. Isso logo foi rebatido pelo senador, que sustentou que essa inscrição não dá respaldo para a vinculação com a ONU.

Na sequência, Prates questionou a presença do logotipo de outra entidade, a United Nations Mission of International Relations, Unmir. “O senhor conhece o Sr. Aldebaran Von Holleben, intitulado no site como Presidente dessa entidade que aparentemente usa o brasão da ONU e diz que é da United Nation? O senhor acha que ele é uma pessoa mentalmente sadia, sã? O senhor o conhece?”, questionou Jean Paul.

Amilton chegou a defender a entidade, mas disse não conhecer o presidente dela.

Super-Homem na CPI

“O senhor sabia que ele reivindica ser o Superman brasileiro? Sabia que ele diz que, depois que o ator de Superman ficou tetraplégico, ele recebeu os poderes de voar e que ele deveria estar nos filmes do Superman? Parece brincadeira para o pessoal que está nos assistindo! Isso parece até piada, mas não é, não! Esse senhor, Aldebaran Luiz von Holleben, ele é tão sério que ele se põe como Superman tupiniquim, entrou na Justiça para conseguir o direito legítimo de ser reconhecido como Superman”, revelou Prates.

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“O senhor acha ele sério? Ele posa de Nações Unidas e diz que é o Super-Homem”, completou o senador em discurso na CPI.

Prates disse ainda que usou a história desse pretenso herói como alerta. “Eu estou alertando porque essas pessoas estão em torno dos governos, das cidades. Isso tem em tudo que é lado e algumas têm realmente raízes políticas em movimentos internacionais, globais. Não é conspiração, é verdade, são financiados. Por isso é que falei aqui mais cedo sobre sites e veículos midiáticos. Além de sites e veículos midiáticos, há entidades, fundações e ONGs desse tipo aparelhadas e financiadas por movimentos protopolíticos”, declarou.

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Com informações do Senado Federal

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Confira trecho e a íntegra:

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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