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10 de junho de 2019, 08h42

Cristina Kirchner divulga vídeo que explica lawfare na Argentina e mostra coincidências com ações contra Lula

Processos contra a ex-presidenta argentina também são marcados por falta de julgamento imparcial, desconhecimento da presunção de inocência e obstaculização do trabalho da defesa, como acontece com as ações contra Lula no Brasil

Lula e Cristina Kirchner (Arquivo/Instituto Lula)

Na madrugada desta segunda-feira (10), a ex-presidenta e atual senadora argentina, Cristina Fernández de Kirchner, publicou em suas redes sociais um vídeo que explica como funciona o esquema de lawfare que opera contra ela e alguns ex-funcionários do seu governo e que tem como um dos objetivos evitar que ela concorra nas próximas eleições – em maio, ela anunciou que será candidata à vice, na chapa liderada pelo peronista Alberto Fernández.

No vídeo, produzido pelo canal El Destape, o jornalista Pepe Rosemblat explica algumas das arbitrariedades visíveis nos processos contra Kirchner. Entre eles, o fato de que os 14 processos contra a líder progressista foram sorteados pela Justiça Federal Argentina e todos caíram nas mãos do mesmo juiz: Claudio Bonadío, espécie de Sérgio Moro do país vizinho, embora a coincidência dos sorteios lembre mais os realizados pelo STF brasileiro.

Outro abuso judicial que o vídeo relata, e que lembra bastante a forma de operar da Operação Lava Jato no Brasil, é o desconhecimento do princípio de presunção de inocência e o uso de prisões preventivas. Nos casos relacionados à ex-presidenta, ela já sofreu cinco pedidos de prisão preventiva, apesar de ter colocado toda a sua documentação à disposição da Justiça, nunca ter faltado aos interrogatórios requisitados e nunca ter mostrado qualquer disposição de obstaculizar às investigações – como acontece nos casos ligados ao ex-presidente Lula no Brasil. Vale explicar aqui que os pedidos de preventiva não levaram Kirchner à cadeia devido ao foro privilegiado que ela mantém como senadora.

O terceiro ponto enumerado pelo vídeo mostra como os julgamentos contra Cristina Kirchner são marcados por uma clara animosidade contra o trabalho da defesa – outro item parecido com o que acontece nos casos envolvendo Lula no Brasil. Bonadío descartou todas as provas apresentadas pela defesa e se negou fazer investigações e perícias solicitadas pela defesa, algo que coincide com o comportamento de Sérgio Moro com respeito aos pedidos da equipe de Cristiano Zanin.


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