terça-feira, 22 set 2020
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Dallagnol chama gabinete de Serra de “bunker” e critica decisão de Toffoli

O coordenador da operação Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, criticou no Twitter, nesta terça-feira (21), a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli, que proibiu que a operação da Polícia Federal (PF) entrasse no gabinete do senador José Serra (PSDB-SP). Para Dallagnol, decisão é “muito equivocada”.

Toffoli concedeu liminar suspendendo a busca e apreensão determinada pela primeira instância no gabinete, que Dallangol chamou de “bunker”. Segundo o ministro, a busca poderia “conduzir à apreensão de documentos relacionados ao desempenho da atividade parlamentar do Senador da República, que não guardam identidade com o objeto da investigação”.

Dallagnol afirmou que Serra não tem foro privilegiado para os crimes investigados na operação desta terça (21), e que o STF “não tem competência nesse caso”. “O ambiente parlamentar, assim como qualquer outro ambiente, não pode funcionar como um bunker que permita a ocultação de crimes”, escreveu o procurador da República. “Não há qualquer regra constitucional ou legal que ampare a ideia de um foro privilegiado de imóvel”, completou.

Na publicação, Dallagnol ainda opinou que a medida de Toffoli não é adequada para garantir a continuidade da atividade parlamentar, coisa que poderia ser feita ao “determinar que a Polícia entregue imediatamente cópia de todo o material para o Senado e não impedir que provas de crimes sejam procuradas e apreendida”.

O procurador ainda considerou que a mesma justificativa poderia ser usada em outros casos, prejudicando investigações de diversos âmbitos. “Trata-se de solução casuísta que está equivocada juridicamente e que, independentemente de sua motivação, a qual não se questiona, tem por efeito dificultar a investigação de poderosos contra quem pesam evidências de crimes”, escreveu.

Gabriella Sales
Gabriella Sales
Estudante de Jornalismo na ECA-USP e estagiária da Fórum.