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24 de setembro de 2019, 23h01

Dallagnol convoca a sociedade no Twitter a defender os abusos de autoridades

Coordenador da Lava Jato ficou contrariado com a atitude do Senado, que derrubou metade dos vetos de Bolsonaro na Lei de Abuso de Autoridade; ele até tentou puxar uma tag contra os vetos, mas não decolou

Foto: Reprodução/YouTube

O coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, usou sua conta do Twitter na noite desta terça-feira (24) para convocar a população a defender abusos de autoridades praticado por juízes, promotores, policiais e outros agentes do Estado. Ele ficou contrariado com a decisão do Senado Federal que, mais cedo, derrubou mais da metade dos vetos que o presidente Jair Bolsonaro havia imposto à lei.

“Estamos fazendo a nossa parte no combate à grande corrupção política. Poderosos estão sendo responsabilizados e bilhões, recuperados. Agora, a sociedade precisa fazer a sua para evitar retrocessos e garantir que esse trabalho continue”, escreveu Dallagnol que, conforme apontam reportagens da série Vaza Jato, cogitou, inclusive utilizando seu cargo de procurador para ganhar adeptos, se candidatar a senador.

Além da própria postagem, Dallagnol fez retuítes de outras pessoas que criticaram a derrubada dos vetos. “Vai ficar muito difícil investigar e punir o criminoso do colarinho branco, que rouba milhões. O braço longo da lei vai ficar curto, alcançará apenas o pé-rapado, que furta migalhas. Muito triste e desanimador isso”, diz uma das postagens compartilhadas pelo procurador.

O criador do fatídico Power Point do ex-presidente Lula ainda repostou tuítes com a tag #EuApoioManutençãoDosVetos, que lavajatistas tentaram emplacar com um “tuitaço” que teria início às 15h. A tag,  no entanto, não decolou e sequer entrou para os Trending Topics do Twitter.

Derrota da Lava Jato 

Dezoito dos 33 pontos vetados pelo presidente Jair Bolsonaro na Lei de Abuso de Autoridades foram mantidos no texto final da Lei de Abuso de Autoridade, afrontando diretamente o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e os procuradores da Lava Jato, que fizeram campanha contra a lei e pela permanência dos vetos.

Os 33 dispositivos estavam espalhados em 19 artigos que haviam sido vetados integral ou parcialmente por Bolsonaro devido a forte pressão de juízes e procuradores. A quantidade de vetos, no entanto, não foi bem recebida no Congresso, que já se preparava para derrubar algumas intervenções. O que deu um empurrão a mais para isso foi a operação de busca e apreensão da Polícia Federal em gabinete do senador Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado.

Entre os pontos que retornam para o texto estão: pena de 1 a 3 anos para quem “violar direito ou prerrogativa de advogado”, como a inviolabilidade do escritório; detenção de 1 a 4 anos, e multa, para quem “constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro”; pena de 1 a 4 anos para quem “constranger a depor, sob ameaça de prisão, pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou pressão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio; ou pessoa que tenha optado por ser assistida por advogado ou defensor público, sem a presença de seu patrono”.

Ao todo, 15 crimes retornaram para a lei. Confira todos no site do Senado Federal.

 


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