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14 de dezembro de 2018, 10h03

De olho na sucessão de Bolsonaro, Doria quer abrir guerra contra PCC

Além do risco de criar crise no setor, rompantes de Doria contrastam com a sua prática que, enquanto prefeito, reduziu gastos com segurança

Doria. Foto: Secom

João Doria (PSDB), o governador eleito de São Paulo, quer transformar a guerra ao PCC em marca de sua gestão e um trunfo para suceder Jair Bolsonaro (PSL) na Presidência da República, em 2023 ou 2027.

O coronel da reserva Nivaldo Restivo, ex-chefe da Rota, indicado para substituir o atual secretário do sistema penitenciário, Lourival Gomes, disse à Folha que não deixará de tomar providências por temor de retaliação do crime organizado. “Isso não vai acontecer”, afirmou.

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Trata-se de uma sinalização clara de que a gestão Doria está disposta a remanejar a cúpula do PCC, incluindo o chefe da facção, Marcola, de Presidente Venceslau para presídios federais, caso isso não seja feito até 1º de janeiro.

O pedido para transferir 15 chefes da quadrilha foi protocolado pelo Ministério Público Estadual e está sob análise da Justiça. Ele ocorreu depois da descoberta de um plano de resgaste dos criminosos no interior de São Paulo.

Na gestão Márcio França (PSB), houve divergência entre secretários sobre a pertinência de fazer a transferência neste momento devido ao risco de retaliações do PCC.

Vale lembrar que a série de atentados ocorrida no estado de São Paulo, em 2006, que ficou conhecida como “Salve Geral”, atribuídos à organização criminosa paulista PCC, teria tido como estopim a decisão do então governador do estado de São Paulo, Cláudio Lembo, de isolar líderes da facção com o objetivo de desmontar a articulação da mesma, colocando-os em presídios de segurança máxima.

Na campanha eleitoral, Doria chegou a declarar que em sua gestão a polícia iria atirar para matar. Depois de ser aconselhado por auxiliares, modulou o discurso, passando a falar na ‘prisão de bandidos’.

Além disso, os rompantes de Doria com relação ao combate à violência contrastam com o seu retrospecto durante a sua passagem pela prefeitura paulistana. O tucano reduziu as despesas com a operação e manutenção da Guarda Civil Metropolitana, que caíram de cerca de R$ 23,5 milhões (2016) para R$ 18,3 milhões (2017).

Integrantes das forças de combate ao crime organizado dizem que Doria tem ignorado pontos fundamentais para esse enfrentamento. Não cita que há alta taxa de corrupção na Polícia Civil, que há a necessidade de recomposição salarial das polícias e que as leis de combate à lavagem de dinheiro precisam ser aprimoradas. Sem isso, acham que tudo pode acabar em pirotecnia.

Com informações da Folha

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