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06 de janeiro de 2020, 16h15

Debora Diniz: “Damares Alves mente em nome da ciência para encobrir a própria fé”

A ministra defende a abstinência sexual como método contraceptivo para evitar gravidez na adolescência

Foto: Carlos Moura/SCO/STF

A antropóloga e pesquisadora Debora Diniz publicou um artigo nesta segunda-feira (6) criticando a posição defendida pela ministra Damares Alves de que o melhor método contraceptivo seria a abstinência sexual. Segundo ela, a ministra mente e é negligente.

“Ministra Damares mente. Não há ciência que justifique ‘preservação sexual’. Abstinência não é política pública: é negligência”, declarou Diniz em postagem no Twitter ao compartilhar artigo publicado no El País em parceria com a cientista política argentina Giselle Carino.

No texto, as pesquisadoras rebatem as afirmações de Damares de que a abstinência sexual seria um método contraceptivo eficiente. “Há evidências abundantes, conhecidas como meta-análises, que comprovam a ineficácia e o risco das políticas de saúde baseadas na hipótese da ‘abstinência sexual”, afirmam.

“Os estudos são variados e confiáveis porque há tempos o imperialismo estadunidense tenta exportar ao mundo o modelo cristão de perseguição à sexualidade adolescente: a cada novo governo republicano nos Estados Unidos, novas táticas são instauradas para promover a abstinência como valor moral travestido de ciência”, completam.

Trump, visto como aliado por Jair Bolsonaro, seria um dos principais financiadores da ideia da abstinência como “política pública”. “Há financiamento abundante do governo de Donald Trump para promover o modelo da abstinência sexual, um giro ao que foi o governo Barack Obama que buscava financiar as melhores práticas no campo da educação sexual”, destaca.

“Não é loucura”

Em mensagem publicada no Twitter no sábado (4), Damares afirmou que a proposta teria base científica. “Não é loucura de uma ministra e nem proposta maluca de sua equipe aloprada. Não é impor condutas morais ou religiosas, nossa proposta tem base em sérios estudos e pesquisas científicas”, afirmou.


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