terça-feira, 22 set 2020
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Decreto de Bolsonaro que liberou turistas sem visto é alvo de contestação no Congresso

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciar que dispensou o visto para turistas dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão que viajarem ao Brasil, congressistas protocolaram uma série de requerimentos para tentar barrar a iniciativa. Segundo o Itamaraty, o governo federal vai deixar de arrecadar R$ 60,5 milhões por ano (em média) com a emissão de vistos para cidadãos desses países.

Para a deputada Marília Arraes (PT-PE), os acordos assinados nos EUA por Bolsonaro afetam a soberania nacional do país. “Essa visita comprovou o que nós vínhamos falando, mas de forma piorada, com mais subserviência e sem exigir reciprocidade no caso dos vistos”, ressaltou Marília. Na visão da parlamentar, Bolsonaro se apresentou ao mundo de forma subserviente e indigna.

“O programa espacial brasileiro foi um marco na afirmação da soberania nacional que aconteceu nos governos Lula e agora vemos que nosso projeto científico também foi entregue de forma subserviente aos norte-americanos”, disse a deputada.

“Há enorme preocupação no país em razão da falta de transparência e pelo desencontro de informações por parte do presidente”, ressaltou no pedido o líder do PSOL Ivan Valente.

Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a justificativa que vai melhorar o turismo do país não se confirma. “Essa medida não tem precedente na história nacional. É um princípio básico do direito internacional a reciprocidade, por isso estamos apresentando esse requerimento com fins de sustar esse absurdo”, afirmou o congressista.

George Marques
George Marques
Jornalista e Relações Públicas pela Faculdade JK de Brasília. É também especialista em comunicação pública e comunicação política no legislativo, tendo já sido indicado ao Prêmio Comunique-se de Jornalismo Político. Já trabalhou na cobertura de política para o site The Intercept Brasil e Metrópoles. É colunista da Fórum.