Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
27 de fevereiro de 2018, 18h54

Definição sobre investigação de Paulo Preto está nas mãos de Gilmar Mendes

O inquérito apura se houve apropriação indevida de dinheiro público no valor atualizado de R$ 10,4 milhões, nos governos de Geraldo Alckmin e José Serra

A Dersa é uma empresa de economia mista controlada pelo governo paulista, na qual Paulo Preto ocupou cargos de diretor de Relações Institucionais e de Engenharia de 2005 a 2010 – Foto: Reprodução/TV Senado

Cabe ao ministro Gilmar Mendes decidir o destino da investigação sobre Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. A defesa espera uma definição favorável para transferir para o Supremo Tribunal Federal (STF) a investigação a respeito de peculato, realizada no Ministério Público Federal (MPF), e que tramita na 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Paulo Preto é apontado por delatores da Lava Jato como operador de propinas para políticos do PSDB, acusação que ele nega. As informações são de André Guilherme Vieira, do Valor.

O inquérito apura se houve apropriação indevida de dinheiro público no valor atualizado de R$ 10,4 milhões, envolvendo reassentamentos no eixo de obras viárias de São Paulo – que o ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa) teria praticado de 2009 a 2012, de acordo com a investigação. A Dersa é uma empresa de economia mista controlada pelo governo paulista, na qual Paulo Preto ocupou cargos de diretor de Relações Institucionais e de Engenharia de 2005 a 2010 – período em que São Paulo foi governado por Geraldo Alckmin e pelo atual senador José Serra (PSDB-SP).

A defesa de Paulo Preto no Supremo é liderada pelo ex-subprocurador-geral da República José Roberto Figueiredo Santoro, que também representa o chanceler Aloysio Nunes (PSDB) nos inquéritos da Lava Jato desdobrados das delações de empreiteiros e executivos da Odebrecht e que estão sob a tutela da Procuradoria-Geral da República (PGR). O pedido para que a investigação suba ao STF por alegada conexão de fatos está no gabinete de Gilmar desde ontem aguardando decisão do ministro.

O advogado de Paulo Preto argumenta que a investigação que tramita em São Paulo tem relação com o assunto apurado nos inquéritos decorrentes das delações da Odebrecht em que Serra e Aloysio figuram como investigados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Apura-se suposto recebimento de vantagem indevida pelo ministro de Relações Exteriores e pelo parlamentar envolvendo contrato celebrado pelo governo de São Paulo com consórcios das construtoras Odebrecht, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e OAS, para construção do trecho Sul do Rodoanel Mário Covas em São Paulo. E ainda se houve recebimento de valores destinados às suas campanhas que não tenham sido declarados à Justiça Eleitoral. Serra e Aloysio têm privilégio de foro e o relator das investigações é o ministro Gilmar Mendes. Ambos têm negado veementemente qualquer envolvimento em ilícitos.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defende que a investigação sobre a suspeita de peculato permaneça sob condução do MPF de São Paulo. “O requerente [Paulo Preto] visa a equiparar o objeto de duas investigações, mas não apresenta nenhum dado concreto a respeito daquela que quer ver submetida ao Supremo Tribunal Federal. Em situações como estas, a jurisprudência desta Corte já sinalizou pelo não conhecimento do pedido”, afirmou Dodge, em manifestação feita ao STF em 9 de fevereiro. “O requerente parece possuir um variado portfólio criminoso, mas com ações não necessariamente entrelaçadas”, concluiu Dodge.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum