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15 de maio de 2017, 14h54

Delação de marqueteiros coloca em suspeição Operação Lava-Jato

Um suposto acerto entre advogados de Mônica Moura e João Santana e o Ministério Público coloca em xeque a Força-Tarefa da Operação Lava-Jato. Casal foi solto menos de 20 dias depois de estagiário de escritório levantar ata cartorial de propalado email entre Mônica Moura e Dilma Roussef.

Por Julinho Bittencourt

O casal Mônica Moura e João Santana teve o pedido de liberdade provisória concedida 19 dias após ser levantada em cartório ata notarial com acesso ao suposto e-mail em que ela disse manter contato com a ex-presidenta Dilma Roussef.

O documento foi levantado em 13/07/2016, por Felipe Pedrotti Cadori, que dizia na sua conta do Facebook ser estagiário do escritório Delivar de Mattos e Castor advogados.


Perfil do Facebook de Felipe antes de apagar a referência ao escritório Delivar de Mattos e Castor Advogados

A liberdade provisória de Mônica foi concedida mediante fiança em 01/08/2016. O escritório Delivar, no entanto, só passou a representar Mônica Moura em 17/04/2017, através do advogado Rodrigo Castor de Mattos. O estagiário apagou a referência ao escritório de Rodrigo logo após as suspeitas vazarem nas redes.


A ata cartorial levantada por Felipe

A confusão envolvendo o escritório Delivar não começa ai. Na semana passada a imprensa revelou que o criminalista Rodrigo Castor de Mattos é irmão do procurador Diogo Castor de Mattos, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato.

O imbróglio envolvendo o levantamento da ata cartorial e a consequente soltura do casal Mônica Moura e João Santana, somado ao fato de Rodrigo e Diogo serem irmãos aponta para a suspeita de uma operação casada entre o escritório e a força-tarefa da Operação Lava-Jato.

Para a Fórum, Rodrigo Mattos disse “não se lembrar bem” do estagiário Felipe Cadori e que não vê contradição alguma no caso, pois o acordo de delação premiada do casal foi acertado com o ministro Fachin, no Supremo Tribunal Federal (STF), e não com a Força-Tarefa da Operação Lava-Jato. “E mesmo que fosse o caso, não tive nenhum contato com o meu irmão sobre isso, não participei de nenhuma tratativa com o MP, nem com a força tarefa e muito menos com o STF”, concluiu.

Procurado para saber para qual escritório fez o serviço, o estagiário Felipe Cadori não respondeu até o fechamento desta matéria.

Essa reportagem teve início com o perfil @galo_vasco, do twitter. Que levantou a identidade do estagiário.

 

 


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