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13 de julho de 2018, 08h10

Depois de 5 anos do seu assassinato, família de Amarildo ainda não foi indenizada

O Estado do Rio nega a participação da PM no caso, mas um policial que teria participado do episódio confessou as torturas contra Amarildo

Neste sábado (14), completa cinco anos que o pedreiro Amarildo de Souza desapareceu na Rocinha. A sua família, no entanto, apesar da justiça do Rio ter estabelecido uma indenização de R$ 3,5 milhões do Estado do Rio, ainda não recebeu nada.

Amarildo foi levado pela Polícia Militar para prestar esclarecimentos, mas não voltou para casa. O caso tomou proporções inesperadas e diversas manifestações sobre o seu paradeiro – ‘Onde está Amarildo?’ – tomaram conta do país.

G1 conversou com Elisabete da Silva, de 53 anos, viúva de Amarildo. Ela afirmou que o caso “acabou com a família inteira” e manifestou preocupação com o fato de que alguns policiais que foram responsabilizados pelo crime já estarem soltos.

“Não acabou só com o Amarildo, acabou com a família inteira. Tiveram os fatos de torturar, sumir com o corpo, a gente não teve como enterrar os restos mortais do meu marido. Meu marido foi morto brutalmente. Ninguém aceita um negócio desses, a gente perdeu, e eles estão na rua, já vão ser soltos. A gente está com as mãos atadas, sem saber o porquê”, disse.

Policiais condenados

Em 2016, 13 policiais militares, envolvidos no crime, foram condenados por tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. Um deles, no entanto, já havia morrido quando a condenação saiu em 2016. O advogado da família, João Tancredo, afirmou que, apesar de a sentença indenizatória contra o Estado do Rio já ter sido proferida, o processo está em fase de recursos da defesa.

“Temos a ação de indenização. A sentença foi dada, proferida em tempo adequado. Foram ouvidas diversas testemunhas, foi julgada procedente. A condenação foi de pagar a cada um individualmente por danos morais pelo sofrimento, pela perda”, disse Tancredo.

“O estado desaparece, tortura e mata o Amarildo e depois aniquila a família não pagando, não fazendo o processo andar e não prestando justiça no tempo hábil. Isso também é uma grande perversidade”, completou.

Elisabete da Silva ficou um tempo fora do Rio de Janeiro após o caso, mas voltou recentemente a morar na Rocinha.

“Eu fico incomodada dentro da Rocinha porque o caso do Amarildo foi um caso mundial. Sabe o que acontece? Muita gente me conhece e eu não conheço. Eu passo em alguns lugares e eu escuto conversas. Outro dia eu passei com a minha filha de 11 anos e um policial falou ‘Oi, Bete’. Eu não respondi e segui meu caminho. Isso me incomoda”, afirmou.

O G1 procurou o governo do Estado do Rio para se posicionar sobre o andamento judicial do caso do pedreiro Amarildo, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Defesa ‘cara de pau’

O Estado do Rio nega a participação da PM no caso, mas um policial que teria participado do episódio confessou as torturas contra Amarildo.

“As defesas que o Estado apresenta sempre dizem que o Amarildo foi até o contêiner da UPP, foi levado até lá para uma investigação e foi liberado imediatamente depois. As provas feitas foi que o Amarildo foi torturado e ele era epilético. Não resistiu a essa tortura. Ele foi retirado dentro de uma capa de uma motocicleta e desapareceram com o corpo e nunca mais foi visto. Isso foram testemunhas, que estavam dentro do contêiner, que contaram, alguns policiais”, disse.

Para o advogado da família de Amarildo, a afirmação de que os PMs não participaram do desaparecimento do pedreiro é uma atitude “cara de pau”.

“O Estado do Rio de Janeiro até hoje ainda nega que foi a polícia que desapareceu com o Amarildo. Eu não consigo imaginar tamanha desfaçatez, e me permita a expressão, cara de pau para dizer um negócio desse”, comentou.

 


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