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29 de abril de 2019, 22h46

Deputada bolsonarista quer retirar de Paulo Freire o título de patrono da educação brasileira

Premiado internacionalmente e considerado um dos maiores educadores do mundo, Paulo Freire se tornou patrono da educação brasileira através de uma lei de 2012; Caroline De Toni (PSL-SC) protocolou Projeto de Lei para revogar o título: "Não podemos aceitar que nossa educação seja pautada por um ideólogo marxista"

Reprodução

A deputada federal Caroline De Toni (PSL-SC) protocolou na Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (29), um projeto de lei que visa retirar de Paulo Freire o título de patrono da educação brasileira.

“Nossa Constituição prevê o pluralismo de ideias e Paulo Freire não nos representa”, disse, aproveitando ainda para parabenizar Olavo de Carvalho, considerado o “guru” educacional do governo Bolsonaro, pelo seu aniversário. Pelo Twitter, a parlamentar ainda fez uma postagem em que afirma que “não podemos aceitar que a nossa educação seja pautada por um ideólogo marxista”.

Paulo Freire passou a ser reconhecido como patrono da educação brasileira através da Lei nº 12.612, de abril de 2012.

Odiado por seguidores de Olavo de Carvalho e por bolsonaristas, Freire já foi premiado internacionalmente e é reconhecido como um dos maiores educadores do mundo. Sua principal obra, “Pedagogia do Oprimido”, propõe um novo modelo de ensino, com uma dinâmica menos vertical entre professores e alunos e a sociedade na qual se inserem. O livro foi traduzido em mais de 40 idiomas.

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“Paulo Freire é a figura de maior destaque na educação brasileira contemporânea, pelo olhar novo que ele constrói sobre o processo educativo. Ele tem ajudado muitos países no mundo a repensar a visão vertical que temos nas salas de aula, de um professor que sabe tudo e do estudante que é uma tábula rasa e nada sabe”, disse, à época da promulgação da lei que tornou Freire o patrono da educação brasileira, a então diretora de currículos e educação integral do Ministério da Educação, Jaqueline Moll.

Em 2017, proposta parecida com a da deputada bolsonarista chegou ao Senado através de uma ação popular, mas foi prontamente rejeitada pela Comissão de Direitos Humanos da Casa.

 


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