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05 de abril de 2019, 10h28

Deputada que pediu para filmar “professores doutrinadores” usa recurso público para lançar livro antifeminista

Ana Caroline Campagnolo, apoiadora de Jair Bolsonaro, disse que não há irregularidade e justificou: "eu não sou petista, não sou de esquerda para usar o dinheiro público muito mal gerenciado”

Foto: Divulgação

A deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL-SC), aquela que ficou conhecida por mandar estudantes filmarem “professores doutrinadores”, cobrou diárias da Assembleia Legislativa de Santa Catarina em datas que coincidem com o lançamento do seu livro “Feminismo: Perversão e Subversão”, em cidades do interior do Estado.

Ao cruzar informações da agenda disponibilizada pela própria deputada e a do Portal da Transparência do Legislativo, a coluna de Altair Magagnin, no ND+, constatou pelo menos seis casos, nas cidades de Chapecó, Criciúma, Fraiburgo, Guaramirim, Itajaí e Itapoá a deputada recebeu diárias e translado, mas aproveitou as datas para lançar o seu livro “Feminismo: Perversão e Subversão”.

O caso mais recente foi na segunda-feira (1), em Criciúma. Ana cobrou meia diária, no valor de R$ 335. Um assessor também tirou meia diária, para a mesma data e local, no valor de R$ 210.

A partir da repercussão nas redes sociais, Magagnin apurou que o caso não é isolado. Em 25 de março, Ana solicitou meia diária para ir a Itapoá, onde lançou o livro na mesma data.

A coluna descreve, de maneira minuciosa, toda a agenda de lançamentos, paga com dinheiro público:

Dos dias 10 a 12 de março, Ana pediu duas diárias, ao custo de R$ 1.340, para roteiro em Campos Novos, Fraiburgo, Lages e Lebon Régis. O livro foi lançado dia 10, em Fraiburgo.

Em 1º de março, Ana lançou o livro em Guaramirim. No mesmo dia, consta a cobrança de meia diária para o deslocamento à cidade.

Entre 21 e 24 de fevereiro, Ana esteve em Águas de Chapecó, Chapecó e Xanxerê. Para tal, cobrou três diárias, no valor de R$ 2.010. No dia 23, lançou livro em Chapecó.

O primeiro caso em que batem as datas de lançamento e a cobrança de diárias foi em 15 e 16 de fevereiro, em Balneário Camboriú e Itajaí. Para tal, a Assembleia desembolsou R$ 1.005. O livro foi lançado dia 16, em Itajaí.

O custo para os cofres de Santa Catarina, no entanto, foram dobrados. Assim como em Criciúma, as viagens a Guaramirim e ao Oeste também foram acompanhadas por um assessor, que tirou diárias proporcionais à deputada.

A justificativa para a cobrança de diárias é genérica: “reunião de serviço”, “reunião/visita com lideranças/entidades”, “representação do Poder Legislativo” e “visita a Prefeituras/Câmaras de Vereadores”.

Não sou petista para usar dinheiro público

Em entrevista por telefone para Altair, na noite desta quinta-feira (4), Ana Campagnolo afirmou que em todas as datas cumpriu agenda com atribuições de deputada e que os lançamentos de livro foram feitos após o encerramento do expediente. “As diárias não são pegas para o lançamento do livro, mas para agendas no município”, afirmou. “Se eu considerasse errado, eu não faria. Até porque, eu não sou petista, não sou de esquerda para usar o dinheiro público muito mal gerenciado”, acrescentou.

Vida pública repleta de irregularidades e contradições

A deputada Ana Caroline Campagnolo é a mesma que ficou conhecida por mandar estudantes filmarem “professores doutrinadores” em publicação na sua página no Facebook logo após o anúncio da vitória de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições presidenciais.

Apesar do discurso moralista, a sua vida pública é repleta de irregularidades e contradições. No final de 2018, ela teve as suas contas reprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE/SC).

Mesmo com o seu antipetismo, ela vive em um apartamento financiado justamente por um programa do PT: o Minha Casa, Minha Vida.

De acordo com informações da coluna de Lauro Jardim, ela processou a cooperativa Habitacional de Chapecó alegando que o valor do financiamento que recebeu era inferior ao valor do apartamento. Acusou, inclusive, a cooperativa de corretagem às avessas. A juíza considerou a sua ação improcedente.

Veja mais detalhes na coluna de Altair Magagnin


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