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07 de novembro de 2019, 13h38

Deputado do PSL denuncia escola estadual de Londrina por peça sobre movimento estudantil

A peça “Quando Quebra Queima” faz parte da programação do Festival Internacional de Londrina (Filo) e aborda as ocupações de escola em 2016, além de questões de valorização da diversidade e importância da educação

Reprodução/ColetivA Ocupação

O deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) foi às redes sociais nesta terça-feira (5) para manifestar seu desprezo a uma peça de teatro apresentada no colégio estadual Hugo Simas, em Londrina, que tem como temática principal as ocupações de escola em 2016. O deputado alegou que a obra faz “doutrinação política” e diz que vai fazer quatro denúncias contra o colégio.

Em vídeo, Barros afirmou que vai protocolar as ações contra o Hugo Simas junto ao Ministério da Educação, Ministério da Família, Núcleo Regional e Ministério Público local. A peça “Quando Quebra Queima” faz parte da programação do Festival Internacional de Londrina (Filo) e aborda questões de valorização da diversidade e importância da educação.

Nesta quarta-feira (6), o deputado publicou outro vídeo nas redes sociais, desta vez ao lado da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. “Entreguei para a Ministra Damares Alves a denúncia pedindo providências em relação à ‘palestra’ realizada no Colégio Hugo Simas, em Londrina, que teve beijaço gay e denegria a Polícia”, disse.

A primeira denúncia contra o colégio partiu da mãe de um dos alunos, Fernanda Leite Carvalhares, que protestou nas redes sociais alegando doutrinação e repudiando o conteúdo da peça. Após publicar um vídeo indignada com o colégio da filha, Fernanda passou a ser alvo de publicações nas redes e teve um crime seu exposto: ela é acusada de ter se apropriado de R$ 12 mil da família de um idoso, entre 1999 e 2000. Fernanda foi tesoureira de uma casa de repouso em que seu pai era presidente, na cidade de Avaré, no interior de São Paulo.

Fernanda rebate as acusações e afirma ser vítima de perseguição religiosa. “Na época eu tinha 18 anos, éramos de uma família pobre, não tivemos uma boa assessoria jurídica e sofremos perseguição pelo fato do meu pai ser pastor. Eu já entrei em contato com a pessoa que fez essas acusações contra mim e quero que ela venha a público se retratar, pois ela disse que foi coagida. De qualquer maneira, essa situação não anula meu direito de protestar pela família, entendo que trazer essa história à tona é uma tentativa da esquerda de jogar uma cortina de fumaça sobre a minha denúncia”.

Ainda, na terça (5), conforme informado pelo Brasil de Fato, houve tentativa de um ato de grupos conservadores diante da escola pública. A partir da mobilização desses grupos, a denúncia chegou ao deputado bolsonarista, que logo se manifestou a favor da censura da peça.

A Comissão organizadora da mostra manifestou-se em defesa do direito a apresentar seu conteúdo. “O artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil garante a liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”, diz a nota do evento.

A direção da escola Hugo Simas também defendeu a peça. “O respeito à diversidade, a liberdade de aprender e ensinar e o pluralismo de ideias encontram proteção no texto da Constituição Federal (CF, art. 3º, inc. IV e art. 206, inc.II), na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e em diversas leis e instruções normativas estaduais, tais como a lei 16.454/2010, que instituiu o Dia Estadual de Combate a Homofobia no Paraná e a Instrução n 010/2010-SUED/SEED, que regulamenta a ação das Equipes Multidisciplinares para tratar da Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afrobrasileira, Africana e Indígena”, diz a nota oficial.


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