Deputado Luis Miranda pede à CPI prisão de Onyx Lorenzoni

O parlamentar também quer que a Procuradoria Geral da República apure se os autores das ameaças contra ele e o irmão fizeram a mando de Bolsonaro

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) encaminhou, nesta quinta-feira (24), ofício à CPI do Genocídio, no qual pede a prisão do ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência, e do assessor da Casa Civil, Elcio Franco. O parlamentar alega coação de testemunhas que prestarão depoimento na comissão.

Leia trecho do documento:

“… ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral:

Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Diante disso, cientes de que toda a máquina estatal foi conclamada pelo Ministro Onyx com o intuito de mostrar força e ameaçar as testemunhas convidadas por essa CPI, serve a presente para requerer que se digne Vossa Excelência, determinar a prisão de ambos, o Sr. Onyx Lorenzoni e o assessor da Casa Civil Elcio Franco, que deverão ser processados sob as penas do art. 344 do Código Penal brasileiro, bem como determinar que a Procuradoria Geral da República venha a apurar se os autores da ameaça o fizeram a mando do Presidente da República Sr. Jair Messias Bolsonaro, que foi citado como o ‘traído’”.

O documento foi postado nas redes sociais pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).

Ameaças

A decisão de Miranda foi motivada depois que o governo de Jair Bolsonaro convocou uma coletiva de imprensa de surpresa, na quarta-feira (23) para comentar sobre as denúncias envolvendo o suposto esquema de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin, da Bharat Biotech.

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O ministro Onyx Lorenzoni disse que o deputado Luis Miranda “inventou essa história” para conseguir algo do governo.

Onyx afirmou que o governo Bolsonaro “vai continuar sem corrupção” (sic) e fez insinuações contra o parlamentar e o irmão dele, que é servidor do Ministério da Saúde. “Por que ele inventou essa história? O que os dois irmãos queriam na casa do presidente no dia 20 [de março]? […] Deus tá vendo, mas o senhor não vai só se entender com Deus, não. Vai se entender com a gente”, disse, em tom de ameaça.

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O ministro falou em “má-fé” e “denúncia caluniosa” e disse que Bolsonaro teria mandado a Polícia Federal (PF) investigar os dois irmãos.

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Lucas Vasques

Jornalista e redator da Revista Fórum.

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