Deputado que quebrou placa de Marielle propõe “homenagem” em zona de prostíbulo

"É evidente que o deputado não busca homenagear Marielle", reagiu a vereadora Monica Benicio (PSOL), viúva da parlamentar assassinada em 2018

O deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ) voltou a causar polêmica com a memória da vereadora assassinada Marielle Franco. O bolsonarista apresentou um projeto de lei que cria uma casa de acolhimento com o nome da ex-parlamentar na região da Vila Mimosa, conhecido local de prostíbulos no Centro do Rio. A proposta irritou familiares de Marielle, que cobraram respeito.

Amorim foi um dos pivôs do episódio da quebra de uma placa com o nome de Marielle durante comício realizado nas eleições de 2018. Ao lado dele estava o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), preso por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), após ameaçar ministros da Corte.

O pedido apresentado por Amorim na Alerj diz o seguinte: “Sabe-se que uma das pautas da vereadora e seus séquitos é aplicação dos Direitos Humanos nas mais situações inusitadas, sempre em defesa daqueles que, inclusive, vivem à margem da lei. Nesse sentido, visando a homenagear a citada vereadora, implantar uma casa de acolhimento num dos redutos de prostituição da cidade do Rio de Janeiro, é tentar preservar as mulheres que ali estão expostas, proporcionando mais dignidade”.

Isso não foi bem recebido por familiares da ativista assassinada em 2018. A vereadora Monica Benicio (PSOL), viúva de Marielle e colunista da Fórum, classificou o pedido como hipócrita. “É evidente que o deputado não busca homenagear Marielle, até porque trata-se da mesma pessoa que durante a campanha quebrou a placa de minha companheira, e depois a emoldurou para pendurá-la como forma de troféu em seu gabinete”, disse em nota enviada ao Metrópoles.

“A despeito da evidente desfaçatez desse parlamentar, posso garantir que para Marielle, pra mim, e pra todas as pessoas que lutam por um mundo melhor, as casas de acolhimento são fundamentais para a garantia de direitos. Sejam elas construídas em qualquer lugar da cidade, desde que atendam às pessoas que mais precisam, sobretudo numa sociedade capitalista patriarcal, extremamente violenta, como a que ele defende. Minha conclusão: esse deputado bolsonarista não é digno de propor tal iniciativa. Toda essa truculência, seu ódio e falsidade vão terminar por levá-lo à cadeia, onde seu parceiro no quebramento da placa já se encontra”, completou.

Anielle Franco, coordenadora do Instituto Marielle Franco e irmã da ativista, também criticou Amorim. “Marielle merece ser lembrada e homenageada em todos os âmbitos possíveis, pois ela trazia em seu único corpo inúmeras representações que hoje tanto defendemos e lutamos. Toda homenagem que respeite isso e a trajetória dela será bem-vinda. Mas muito me admira esse movimento de um deputado, que quebrou a placa dela e tripudiou em cima de sua morte diversas vezes, querer agora, quase em 2022, prestar homenagem a ela. Torço para que ele passe, então, a respeitar minha irmã e a memória dela a partir de agora, já que ele tem achado conveniente usar o nome dela em diferentes espaços”, disse a O Globo.

Com informações de O Globo e Metrópoles

Publicidade
Avatar de Lucas Rocha

Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global