Deputado quer convocar Marcos Pontes à Câmara para explicar “apagão” no CNPq

"Nada surpreendente vindo do governo mais negacionista da história", afirma Rogério Correia (PT-MG) sobre o erro no sistema Lattes, que reúne milhares de dados acadêmicos

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou junto à Comissão de Educação da Câmara, nesta terça-feira (27), um requerimento solicitando que o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, seja convocado para prestar esclarecimentos aos parlamentares sobre o “apagão” no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Conforme noticiado mais cedo pela Fórum, desde o final da última semana que professores e pesquisadores do Brasil inteiro tentam acessar a plataforma Lattes, onde ficam hospedadas todas as informações dos pesquisadores, bem como os seus trabalhos desenvolvidos, mas não conseguem.

Ao procurarem o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foram informados de que o sistema Lattes estava fora do ar, pois o servidor do CNPq “queimou”.

“A placa do servidor que queimou não tinha backup, a gente não sabe exatamente o que a gente perdeu (de dados), se perdeu alguns segundos, minutos, horas, dias. A folha de pagamento também está comprometida, vai ter que fazer algum processo manual, enfim, está um caos no CNPq”, informou, a princípio, o Conselho.

Depois da péssima repercussão da notícia, o CNPq divulgou nota negando a informação. “O CNPq já dispões de novos equipamentos de TI e a migração dos dados foi iniciada antes do ocorrido. Independente dessa migração, existem backups cujos conteúdos estão apoiando o restabelecimento dos sistemas”, diz o comunicado.

Para o deputado Rogério Correia, no entanto, o erro na base de dados mostra que o governo Bolsonaro, bem como seu ministro Marcos Pontes, estão implementando um “apagão na ciência”.

“O CNPq teve abruptos cortes de financiamento e está operando com o menor orçamento dos últimos 21 anos. O sucateamento da agência provavelmente tem relação direta com a queda dos seus sistemas, plataforma e bancos de dados que se encontram fora do ar por dias e ainda não se sabe a dimensão das perdas de informações, porém, já foi propagandeado que não há backup dos dados em questão”, afirma o petista no requerimento de convocação de Marcos Pontes.

Apagão no CNPq e encontro com neonazista

Enquanto os pesquisadores brasileiros já se queixavam do “apagão” de dados do CNPq, o ministro da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), Marcos Pontes, tomava café com a deputada alemã Beatrix von Storch.

Publicidade

A parlamentar europeia é líder do Alternative für Deutschland (em português, Alternativa para a Alemanha), legenda de extrema-direita, notoriamente ligada a ideias e grupos neonazistas, que é, inclusive, investigada pela agência de inteligência alemã por atos que atentam contra a democracia.

Em seu requerimento para convocar Pontes à Câmara, Rogério Correia também solicita explicações do ministro sobre esse encontro com a deputada alemã.

Publicidade

“A despeito da relevância, o CNPq não parece ser prioridade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pois na mesma semana, ao invés de priorizar a solução do ‘apagão’ ocorrido na ciência brasileira, o Ministro Marcos Pontes abriu espaço em sua agenda para receber no Ministério uma deputada neonazista da Alemanha”, escreve o deputado.

“Nesse sentido, para averiguar a grave situação do CNPq, a extensão dos danos ocorridos nos sistemas e esclarecer a agenda oficial do MCTI com a deputada neonazista, apresento este requerimento convocando o Senhor Ministro Marcos Pontes para prestar os devidos esclarecimentos à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados”, completa o parlamentar.

Notícias relacionadas

Avatar de Ivan Longo

Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

Você pode estar junto nesta luta

Fórum é um dos meios de comunicação mais importantes da história da mídia alternativa brasileira e latino-americana. Fazemos jornalismo há 20 anos com compromisso social. Nascemos no Fórum Social Mundial de 2001. Somos parte da resistência contra o neoliberalismo. Você pode fazer parte desta história apoiando nosso jornalismo.

APOIAR