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04 de agosto de 2018, 15h34

“Derrubaram uma presidente, agora querem uma eleição de cartas marcadas”, diz Lula

Em texto enviado à convenção nacional do PT, o ex-presidente afirma que, depois do golpe que destituiu Dilma Rousseff, agora querem vetar o direito do povo escolher livremente quem governará o país. Leia na íntegra

Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente Lula enviou uma carta para o encontro nacional que oficializou o registro de sua candidatura nas eleições deste ano, realizado neste sábado (4), em São Paulo. O texto foi lido pelo ator Sergio Mamberti para centenas de militantes do partido que participaram da convenção, que defendeu liberdade ao petista, preso político desde o dia 7 de abril.

No documento, Lula destacou que, após destituírem uma presidente democraticamente eleita, agora “querem fazer uma eleição presidencial de cartas marcadas, excluindo o nome que está à frente na preferência popular em todas as pesquisas”.

O ex-presidente também demonstra preocupação com os rumos que o Brasil tomou nestes dois últimos anos, com retrocessos e venda de patrimônio nacional. “Nossa Petrobrás, nosso pré-sal, a Eletrobrás, os bancos públicos; todos na fila para serem entregues a preço de banana aos grandes grupos estrangeiros”, afirmou Lula, que também resgatou conquistas de governos petistas, como a ampliação do acesso à universidade e a redução da miséria e da fome.

Leia a carta na íntegra:

Companheiras e companheiros,

Esta é a primeira vez em 38 anos que não participo pessoalmente de um encontro nacional do nosso partido. Mas sei que estou presente por meio de cada um de vocês, cada dirigente, delegado e militante do PT.

Ao longo desses 38 anos nós construímos a mais importante força política que este país já conheceu. Porque nascemos das bases, da classe trabalhadora da cidade e do campo, lutando pela democracia e pela justiça. E nunca, nunca mesmo, nos afastamos do povo.

Chegamos ao governo pelo voto, depois de um longo aprendizado, para transformar o Brasil. E transformamos. Vencemos a miséria e a fome. Levamos água para quem sofria com a seca e luz elétrica para quem vivia nas trevas. Levamos as crianças para a escola e os jovens – negros, pobres e indígenas – para a universidade.

São coisas que parecem simples em qualquer país civilizado, mas que representaram uma enorme diferença para nossa gente sofrida. E isso só foi possível porque sempre colocamos os trabalhadores e os mais pobres no centro das atenções do governo.

Criamos um dos maiores e melhores programas de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família. Aumentamos o valor real do salário mínimo. Levamos  crédito para os trabalhadores, os aposentados e para a agricultura familiar. Criamos 20 milhões de empregos.

Nos muitos governos anteriores ao nosso, a imensa maioria da população era tratada como se fosse um problema. Nós tratamos a nossa gente como solução, e por isso o Brasil mudou. Provamos que é possível fazer diferente e melhor do que sempre fizeram antes.

Hoje o nosso povo está sofrendo. A fome voltou a rondar os lares e muitos nem têm mais um lar: estão vivendo nas ruas, tornaram-se mendigos junto com os filhos. Milhões de trabalhadores desistiram de procurar emprego, porque não há. Milhões foram excluídos do Bolsa Família. As universidades e os hospitais vivem sua maior crise.

Hoje o nosso país está sendo vendido. Nossa Petrobrás, nosso pré-sal, a Eletrobrás, os bancos públicos; todos na fila para serem entregues a preço de banana aos grandes grupos estrangeiros, como já fizeram com a Embraer. Nossa politica externa voltou a ser ditada pelo Departamento de Estado norte-americano.

Hoje a nossa democracia está ameaçada. Há dois anos deram um golpe parlamentar para destituir a presidenta Dilma Rousseff, rasgando a Constituição. Agora querem fazer uma eleição presidencial de cartas marcadas, excluindo o nome que está à frente na preferência popular em todas as pesquisas.

Já derrubaram uma presidenta eleita; agora querem vetar o direito do povo escolher livremente o próximo presidente. Querem inventar uma democracia sem povo.

Este encontro nacional do PT talvez seja um dos mais importantes em toda a história do nosso partido. É enorme a responsabilidade que temos pela frente. A decisão de hoje vai nos conduzir a uma luta sem tréguas pela democracia, pelo povo brasileiro e pelo Brasil. E a vitória dependerá do empenho de cada um de nós.

Gostaria de estar aí para abraçar cada companheira e companheiro. Para agradecer por toda a solidariedade e principalmente por manterem aceso o espírito do PT, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. De onde me encontro, estou sempre renovando minha fé de que o dia do nosso reencontro virá, pela vontade do povo brasileiro.

Viva o Brasil!

 Viva o Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras!

Um abraço do

Lula


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