Desespero: Bolsonaro radicaliza ainda mais, ameaça STF abertamente e está isolado

Presidente discursou de forma agressiva em São Paulo, citou Alexandre de Moraes nominalmente, usou ufanismo melodramático e se autoemparedou. Centrão já fala de impeachment

O presidente Jair Bolsonaro proferiu um discurso ainda mais radical na tarde desta terça-feira (7) no ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Num tom mais inflamado do que o utilizado horas antes em Brasília, o ocupante do Planalto ameaçou abertamente o STF, citou nominalmente Alexandre de Moraes e insistiu em sua teoria estapafúrdia de que o sistema eleitoral brasileiro é fraudulento.

“Vou dizer àqueles que querem me tornar inelegível em Brasília: só Deus me tira de lá! A minha vida pertence a Deus, mas a vitória é de todos nós…Não é uma pessoa que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável, porque não é… Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada ainda pelo presidente do TSE.”

Ao se referir diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, que trava uma guerra sem trégua liderando as investigações sobre atos antidemocráticos e golpistas promovido pelos fanáticos adeptos do bolsonarismo, o presidente afirmou que não cumprirá mais decisões judiciais expedidas pelo magistrado da Suprema Corte.

“Nós devemos sim, porque eu falo em nome de vocês, determinar que todos os presos políticos sejam postos em liberdade. Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou”, disparou. Bolsonaro ainda xingou os adversários e disse que jamais irá para a cadeia por conta da arruaça institucional que está promovendo do Brasil: “(Quero) dizer aos canalhas que eu nunca serei preso”.

A baixaria correu solta durante os nove minutos de pronunciamento do presidente extremista, que foi em vários momentos interrompido, ou ficou inaudível, por conta de problemas técnicos.

“Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir. Tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Sai Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha, deixa de oprimir o povo brasileiro… Ou esse ministro se enquadra ou ele pede para sair. Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas turve a nossa liberdade”, falou, aos berros.

Houve também momentos de ufanismo melodramático, ilustrado pelos clássicos (supostos) relatos que o presidente diz escutar de pessoas que depositam a esperança de um Brasil melhor em suas mãos.

“Há pouco encontrei uma menina que me perguntou se era difícil ser presidente. Eu disse que sim, mas que fazia isso por ela. Faço isso pelos nossos filhos e pelos nossos netos e faço porque tenho o apoio de vocês”, contou.

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Impeachment pode estar no horizonte

Cada vez mais isolado, o chefe do Executivo federal parece estar com um novo problema. A rede de televisão CNN Brasil informou que lideranças do centrão já pensam em sentar durante esta semana para discutir uma adesão às centenas de pedidos de impeachment do presidente que hibernam na gaveta de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.

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