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30 de março de 2019, 18h03

Deus abaixo de todos, por Frei Sérgio Antônio Görgen ofm

Nada a ver com o invocado “acima de todos” de uma perversa teologia da dominação, de um deus parceiro da opressão, da violência, do ódio, do desprezo pelo pobre

Por Frei Sérgio Antônio Görgen ofm*

O Deus revelado em Jesus de Nazaré, como nos narra o Novo Testamento, não é um deus guerreiro, julgador, tirano, vingador, poderoso, que se coloca acima de todos, tal como aparece em alguns textos do Velho Testamento, e que tem inspirado algumas concepções religiosas em terras brasileiras.

Pelo contrário, no Novo Testamento – e esta é a grande novidade – Deus se faz igual aos humanos pelo Mistério da Encarnação. Revela-se um Deus misericordioso e cheio de compaixão. O amor, e não o poder, é sua medida e sua forma de estar no mundo.

Na vida e na prática de Jesus, reveladoras do ser e do agir de Deus, o vemos lavando os pés dos discípulos, colocando-se não como senhor, mas como servidor. Jesus, o Filho de Deus, coloca-se entre os últimos, os excluídos, os tidos como pecadores, os perseguidos.

“Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava nu e me vestistes, era migrante e me acolhestes, estava doente e me cuidastes, estava preso e me visitastes”. “O que fizestes ao menor dos meus irmãos, a MIM fizestes” lacra Jesus como programa de vida para seus discípulos e como testemunho da identidade dEle com os humildes da terra no paradigmático texto do evangelista Mateus no capítulo 25 de seu Evangelho.

O apóstolo Paulo selou este mistério da presença humilde de Deus na carta aos Filipenses quando afirma que Jesus, sendo Deus, não se apegou a esta condição, “mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” Assim, de baixo para cima – e não de cima para baixo – revelou-se o Deus diante do qual “todo joelho se dobre”, na mesma carta aos cristãos de Filipo.

Jesus, mesmo Ressuscitado, aparece e se revela aos seus na simplicidade de um jardineiro, mostra as chagas à Tomé, caminha e parte o pão com os discípulos de Emaús, cozinha e come peixe com os apóstolos. Nada de poder, violência e ostentação. Simplicidade, irmandade, solidariedade, convivialidade, amor, presença fraterna.

Em Jesus, Deus se fez irmão da humanidade, mais que isto, companheiro de caminho – de dor e de alegrias – dos mais pobres, sofridos e humilhados entre os humanos.

Quando um ser humano é humilhado e agredido, o Deus que se identifica com os humilhados, é também agredido nele.

Nada a ver com o invocado “acima de todos” de uma perversa teologia da dominação, de um deus parceiro da opressão, da violência, do ódio, do desprezo pelo pobre.

Orar a deus errado, adorar deus falso, é idolatria. E quem isto defende e prega pode estar sendo inscrito na categoria dos falsos profetas. Jesus mesmo alertou que muitos viriam.

E nós, os que nos dizemos cristãos, não esqueçamos o que disse, pediu e fez nosso Mestre e Senhor: “amai-vos uns aos outros”; “vim para que todos tenham vida, e vida em abundância” e “ sou EU (Jesus) o caminho, a verdade e a vida”.

A esperança vem de baixo, com “os de baixo”, não de cima nem com “os de cima”. Para quem crê, é lá, com “os de baixo” que está o Deus da Vida.

*Frei Franciscano, autor de “Em Prece com os Evangelhos”.


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