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16 de dezembro de 2019, 06h36

Dias Toffoli diz que Lava Jato “destruiu empresas”: “Isso jamais aconteceria nos Estados Unidos”

Presidente do STF, Toffoli também afirmou ainda que a situação "bastante complexa" no Brasil e no mundo permite a volta de ideias do "estilo fascista": "Quem não é igual a mim é meu inimigo”

Dias Toffoli e Sergio Moro (Foto: Isaac Amorim/MJSP)

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, afirmou em entrevista a O Estado de S.Paulo desta segunda-feira (16) que a Lava Jato “destruiu” empresas brasileiros, ressaltando que o que foi feito pela força-tarefa não aconteceria em países como EUA e Alemanha.

“A Lava Jato foi muito importante, desvendou casos de corrupção, colocou pessoas na cadeia, colocou o Brasil numa outra dimensão do ponto de vista do combate à corrupção, não há dúvida. Mas destruiu empresas. Isso jamais aconteceria nos Estados Unidos. Jamais aconteceu na Alemanha”, disse.

O ministro afirma ainda que o governo Jair Bolsonaro tem “pessoas e áreas de excelência” que tem feito “belíssimos trabalhos, tem tido diálogos com as instituições o tempo todo”. Porém, segundo ele, falta um “projeto nacional”.

“Eu tive a oportunidade, naquele café da manha com os chefes de poderes, estavam presentes o presidente Bolsonaro, o Paulo Guedes, o general Heleno, o Jorge Almeida, hoje ministro, e eu tive a curiosidade de perguntar: “E o dia seguinte da reforma da Previdência?”, “Aí é com o Paulo Guedes”, disse o presidente. Aí o Paulo Guedes começa a falar. Mas você que não há uma ação coordenada”.

Toffoli também falou da situação “bastante complexa” no Brasil e no mundo, que permite a volta de ideias do “estilo fascista”.

“É algo bastante complexo, não envolve só o Brasil. A volta dos nacionalismos, uma reação à globalização, a volta de posição de identidades de gueto, “eu só converso com pessoas que pensam igual a mim, quem não é igual a mim é meu inimigo”. Essa ideia no estilo fascista, realmente autoritário, de que existem seres melhores do que os outros, vai contra tudo aquilo que foi o desenvolvimento da teoria jurídica, política e ética do pós-Segunda Guerra com os direitos humanos, a fraternidade, a solidariedade”.

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