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31 de março de 2019, 09h25

Dilma: “Não há nada a comemorar neste dia. Só rezar pelos mortos e manter a certeza de que resistiremos”

“Os elogios descarados do presidente ao golpe mostram que estamos distantes da pacificação”, disse

Dilma Rousseff (Foto: Agência Brasil)

Em mensagem enviada ao Painel, da Folha, publicada neste domingo (31), a ex-presidente Dilma Rousseff diz que “Não há nada a comemorar neste dia. Só rezar pelos mortos e manter a certeza de que resistiremos ao autoritarismo para construir uma nação sem ódios, mágoas e perseguições”, afirma.

Dilma foi presa e torturada pela ditadura iniciada em 1964. Eleita presidente, foi afastada do poder no seu segundo mandato, em 2016. Ela vê “tempos sombrios” no chamado de Jair Bolsonaro às “comemorações devidas” deste 31 de março. “Os elogios descarados do presidente ao golpe mostram que estamos distantes da pacificação”, disse.

Para Dilma, o ano de 64 foi como uma “ferida aberta na história do país”. “São tempos que evocam prisão, tortura, morte e exílio. (…) É duro ver que após a incansável luta pela democracia, pagamos com dor e sacrifício para assistir agora uma comemoração do golpe forjada pelo chefe de Estado”.

“Todos sabemos que brasileiros e brasileiras foram assassinados e estão ‘desaparecidos’ até hoje. Amigos e familiares guardam a dor da ausência de filhos e pais. Na Comissão da Verdade, eu disse que a ignorância sobre a história não pacifica. Ao contrário. A desinformação apenas facilita o trânsito da intolerância.”

Dilma foi presa aos 22 anos, acusada de integrar uma organização que fazia luta armada contra o regime. Ela ficou encarcerada por mais de três anos e, nas poucas ocasiões em que falou sobre o assunto, relatou sessões brutais de tortura.

 


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