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09 de janeiro de 2020, 16h10

Dilma responde ofensas a médicos cubanos: “Bolsonaro faz mal à Saúde”

Bolsonaro disse sobre os médicos cubanos que havia “um montão de terrorista no meio deles”

Dilma e Alexandre Padilha com médico cubano que foi alvo de protestos de profissionais brasileiros (Foto: Divulgação)

A ex-presidenta Dilma Rousseff respondeu, através de nota publicada em seu site, nesta quinta-feira (9), às ofensas que o presidente Jair Bolsonaro fez aos médicos cubanos. Para ela, “por preconceito, presidente calunia médicos cubanos e submete milhões de brasileiros pobres ao risco de doenças e epidemias”.

Bolsonaro disse nesta segunda-feira, sobre os médicos cubanos, que havia “um montão de terrorista no meio deles”.

“Se tiver qualquer terrorista no Brasil, a gente entrega. É por aí. Assim como entregamos o Battisti. Entregamos não, o Battisti viu que ia eu ia entregá-lo e fugiu. Assim como os cubanos médicos, entre aspas, saíram antes de eu assumir. Sabiam que eu ia pegar os caras. Um montão de terrorista no meio deles”, completou Bolsonaro.

O Ministério das Relações Exteriores de Cuba respondeu em nota, também nesta quinta-feira, as acusações que o presidente Jair Bolsonaro fez sobre os médicos cubanos que participaram no Brasil do programa Mais Médicos.

Veja a nota de Dilma na íntegra abaixo:

O país e o mundo já sabem que Bolsonaro se considera no direito de ser grosseiro, truculento e inverídico ao abusar dos xingamentos e das fake news em suas manifestações públicas. Agora, comete crime de difamação e calúnia contra os médicos cubanos que atuaram no Brasil entre 2013 e 2018, acusando-os de terroristas e de profissionais sem habilitação.

A desinformação e as fake news divulgadas sistematicamente compõem sua tática política e seu método de atuação que, infelizmente, não demonstram a necessária compostura e o devido respeito ao cargo que ocupa. O ataque gratuito e difamatório aos médicos cubanos revela ainda um profundo desprezo por dezenas de milhões de brasileiros e suas famílias, pobres, que foram cuidados e acolhidos pelos médicos cubanos, por meio do Programa Mais Médicos.

Criado em julho de 2013, no meu governo, o Mais Médicos colocou 18.247 profissionais de saúde nas favelas, nas periferias das grandes cidades, nas cidades do interior, nos pequenos municípios, nas áreas remotas do sertão, nos departamentos de saúde indígenas e na Amazônia. O programa incluía também a construção, reforma e ampliação de 26 mil Unidades Básicas de Saúde, e a criação de 117 cursos de medicina, 73% dos quais no interior.

No seu início, o Mais Médicos oferecia prioritariamente vagas para médicos formados no Brasil e, nessa primeira fase, 1.846 profissionais brasileiros se inscreveram. Na sequência, ofereceu oportunidade para os médicos brasileiros formados no exterior, e 1.187 vagas foram preenchidas por este critério. Finalmente, e só depois das duas primeiras convocações terem sido feitas e se mostrado insatisfatórias, pois a necessidade de médicos ficou muito longe de ser atendida, as vagas remanescentes, que eram muitas, foram preenchidas por médicos estrangeiros, de forma majoritária oriundos de Cuba. Devemos agradecer a esses médicos cubanos, extraordinariamente bem formados e competentes, pelo sucesso no enfrentamento dos problemas de saúde da nossa população. O sucesso do Programa Mais Médicos.

Por meio de um convênio administrado pela OPAS (Organização Panamericana de Saúde), 11.429 médicos cubanos, vieram para o Brasil e se colocaram em todas as áreas do País nas quais a população não tinha e necessitava com urgência do acesso à assistência médica. Quero mais uma vez reiterar que o sucesso deste programa deveu-se, pois, à dedicação desses profissionais e a solidariedade fraterna do governo de Cuba.

Na verdade, os resultados do programa traduzem perfeitamente a sua dimensão histórica. Mais de 63 milhões de pessoas atendidas, centenas de milhões de atendimentos prestados – 113 milhões destas consultas dadas por médicos cubanos, que eram os únicos disponíveis para a população de 1.575 municípios, em 700 dos quais os moradores jamais tinham sido atendidos por um profissional. Além disso, os cubanos eram 75% dos médicos das aldeias indígenas, que também não tinham acesso a um profissional médico.

O povo brasileiro mostrou ter consciência desse fato ao expressar sua aprovação à dedicação dos médicos cubanos. As pesquisas e avaliações feitas na época atestaram o sucesso e a eficiência do programa, que estimulou no Brasil um novo tipo de relação entre médico e paciente. Mais de 80% dos beneficiários afirmaram em pesquisas independentes que receberam dos profissionais do Mais Médicos tratamento “mais humano e atencioso”. Pesquisa feita pela UNB revelou que a maioria dos usuários se referia aos médicos cubanos com expressões como “atenção”, “interesse”, “paciência”, “conversar mais” e “examinar mais”. Estudo da FGV mostrou que, em 2015, o Mais Médicos evitou pelo menos 521 mil internações hospitalares. Muitos médicos brasileiros que na época criticaram o programa, hoje reconhecem sua importância e utilidade.

Quanto aos médicos cubanos injustamente acusados, a história de seu trabalho demonstra em números o conceito de excelência que adquiriram no mundo por suas ações humanitárias: eles estão presentes em 67 países, cumpriram 600 mil missões em 164 nações, e mais de 35 mil médicos de 138 países se formaram nas faculdades de medicina de Cuba, entre eles mais de mil brasileiros.

Ao atentar contra o Mais Médicos, esquivando-se num biombo de preconceito ideológico, Bolsonaro priva milhões de brasileiros de assistência básica de saúde, abandonando homens, mulheres, crianças e idosos de todo o Brasil ao risco de doenças e epidemias. Destruir um programa que atendia mais de um quarto da população brasileira nos permite cheguar a uma terrível conclusão: Bolsonaro faz mal à saúde.

DILMA ROUSSEFF

 

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