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25 de setembro de 2019, 12h50

Dilma Rousseff diz que governo Bolsonaro é “neofascista”

Sobre o PT, Dilma disse. “Perdemos, ficamos em segundo lugar, mas somos os únicos que sobreviveram à invasão da extrema-direita, com 47 milhões de votos, 44,8 %”

Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ex-presidenta Dilma Rousseff chamou o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) de “neofascista” em entrevista publicada na versão em espanhol do El País desta terça-feira (24).

Ela afirmou que Bolsonaro “não está só destruindo a Amazónia, mas também a soberania do Brasil”. “O país tem uma área de preservação 11 vezes maior do que toda a Espanha e tudo isso está ameaçado. Tudo começou com o governo anterior, de Michel Temer, mas às escondidas”, salientou.

“Com Bolsonaro não. Bolsonaro teve atitudes gravíssimas, tal como a de encerrar o Conselho Nacional para o Meio Ambiente. É uma política deliberada, Bolsonaro deixou explícito o seu objetivo de exploração mineira da zona. A Amazónia é uma epifania”.

Vaza Jato

Sobre a divulgação das conversas privadas entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol, Dilma disse que “em qualquer outro país os envolvidos seriam interrogados e até julgados”, uma vez que “cometeram irregularidades e uma série de ações ilegais”. “E, ainda mais grave, essas conversas privadas demonstram que não existiam provas contra Lula e que as alegações de então foram forçadas e são falsas”, defendeu.

Dilma disse ainda que os dois “atuaram de forma política”. “A Justiça brasileira ficou comprometida. Um juiz não pode comportar-se como um acusador. Não sei como irá desenvolver-se esta situação, num Governo neofascista como o atual, que ataca todos os setores”.

“As instituições judiciais transformaram-se numa empresa e, com Sergio Moro como chefe do Ministério Público de Curitiba, foi desencadeada a operação Lava Jato. É certo que descobriram muitas coisas, mas a questão é sobre quem foi o foco: Lula”, atirou Dilma.

Golpe de Estado

Quanto ao processo de impeachment de que foi alvo há três anos, Dilma considera que foi “uma injustiça” e um “golpe de Estado”. “A minha destituição foi o primeiro ato de uma peça de teatro. O segundo ato foi eleger um Governo que adotou (…) uma reforma trabalhista que precariza o emprego, algo que o nosso Governo não teria feito. E foi isso que criou o ambiente para a chegada de Bolsonaro”, declarou.

Sobre o Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff disse. “Perdemos, ficamos em segundo lugar, mas somos os únicos que sobreviveram à invasão da extrema-direita, com 47 milhões de votos, 44,8 %”.


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