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21 de janeiro de 2020, 17h14

Dilma: “Se um jornalista é perseguido por cumprir o seu dever, a democracia está frontalmente ameaçada”

Lideranças da oposição criticaram a atuação do MP contra Glenn Greenwald, considerada "claramente política" pelo The Intercept Brasil

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A denúncia apresentada pelo procurador Wellington Oliveira contra o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, por supostamente ter ajudado os hackers investigados na operação Spoofing, gerou nesta terça-feira (21) diversas críticas entre lideranças da oposição ao governo de Jair Bolsonaro, que ironizou a ação.

O ex-presidente Lula e a ex-presidenta Dilma Rousseff foram às redes sociais comentar sobre a acusação contra Glenn. Os dois denunciaram o atentado à liberdade de imprensa que a ação representa.

“A denúncia do MPF contra Glenn Greenwald é um grave atentado à liberdade de imprensa. É inadmissível num país democrático, sendo também uma clara afronta à liminar em sentido contrário concedida pelo STF. Se um jornalista é perseguido por cumprir o seu dever, a democracia está frontalmente ameaçada”, publicou Dilma. “Minha solidariedade ao jornalista Glenn Greenwald, vítima de mais um evidente abuso de autoridade contra a liberdade de imprensa e a democracia”, disse Lula, por sua vez.

A líder da Minoria na Câmara dos Deputados, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), destacou que o MP ignorou as considerações da Polícia Federal sobre o jornalista. “ABSURDOS NA CAÇADA À JORNALISTA: Procurador do MPF ignorou relatório da Polícia Federal que descartava Glenn Greenwald como cúmplice das ações de hacker”, publicou a parlamentar.

Ciro Gomes e Guilherme Boulos, candidatos à presidência nas eleições de 2018 pelo PDT e pelo PSOL, respectivamente, também criticaram a perseguição a Glenn. “Sem pé nem cabeça esta denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald. O jornalismo é tarefa essencial à democracia e às liberdades individuais e públicas. O que Glenn fez foi o mais genuíno jornalismo”, defendeu Ciro. “O MPF denunciou Glenn Greenwald. Acusação: fazer jornalismo”, disse Boulos.

O vice-líder do PCdoB na Câmara, o deputado federal Márcio Jerry (MA), também foi às redes. “Essa denúncia do MPF em Brasília não atinge só o Glenn Greenwald. Agride frontalmente a liberdade de imprensa. Um absurdo a mais nesse enredo de abusos autoritários. Nosso repúdio!”, tuitou.

A presidenta nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), disse que o partido está solidário com Glenn. “MP abusa do poder para se vingar de Glenn Greenwald, que denunciou crimes da Lava Jato e parcialidade de Moro contra Lula. Querem estado policial, com mais farsas, ilegalidades e arbitrariedades. PT solidário com Glenn, em defesa da liberdade de imprensa”, declarou.

Quem também saiu em defesa do editor do The Intercept Brasil foi o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Jornalismo não é crime”, afirmou o parlamentar.

Posição do The Intercept

Em nota publicada nesta tarde, o The Intercept considerou que o MP adotou um papel “claramente político” e denunciou uma tentativa de cerceamento de liberdade de expressão. “Nós do Intercept vemos nessa ação uma tentativa de criminalizar não somente o nosso trabalho, mas de todo o jornalismo brasileiro. Não existe democracia sem jornalismo crítico e livre. A sociedade brasileira não pode aceitar abusos de poder como esse”, disse o veículo.

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