No rastro do óleo do Nordeste
17 de outubro de 2019, 12h33

Diplomatas do Brasil tentam impedir deputada do PSol de denunciar Bolsonaro na ONU

"O governo do Brasil ainda quer ocupar um assento no Conselho de Direitos Humanos. Pergunto-me: com que moralidade? Embora o povo brasileiro o mereça, este governo não o merece", disse Fernanda Melchionna (PSol-RS) em seu discurso, em que elencou as violações de direitos por Bolsonaro

Fernanda Melchionna (PSol/RS) (Reprodução)

Diplomatas brasileiros tentaram impedir a deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS) de denunciar na Organização das Nações Unidas (ONU) os abusos e ações de Jair Bolsonaro contra os direitos humanos. A informação foi confirmada pela assessoria da deputada à Fórum.

Segundo relato do jornalista Jamil Chade, alinhados a Jair Bolsonaro, os diplomatas começaram a bater o martelo na mesa para tentar interromper o discurso da deputada, que aconteceu nesta quinta-feira (17) em uma reunião nas Nações Unidas dedicada ao papel do setor privado e de empresas na defesa de direitos humanos.

Em seu discurso, Fernanda afirmou que o governo de Jair Bolsonaro não tinha condições de ser candidato à eleição para mais um mandato no Conselho de Direitos Humanos da ONU, elecando diversas violações cometidas por seu governo.

“Gostaria também de lembrar que não houve consulta às comunidades quilombolas, impactadas pelo uso da base militar de Alcântara, que viola a Convenção 169. Há até uma denúncia feita pelos quilombolas aqui na ONU. Se falamos de povos indígenas, vários povos indígenas têm suas terras e sua própria existência ameaçadas pela ameaça da mineração por parte das transnacionais, com o conluio do governo brasileiro”, discursou a deputada.

“O governo brasileiro criminaliza defensores de direitos humanos. Gostaria de recordar que a vereadora Marielle Franco era tanto LGBTB como Defensora dos Direitos Humanos. Marielle foi brutalmente assassinada em Março de 2018 e até hoje não se sabe quem ordenou a sua morte. Não há resposta do governo”, denunciou.

“Diante de tudo isso, Senhor Presidente e representantes dos Estados, o governo do Brasil ainda quer ocupar um assento no Conselho de Direitos Humanos. Pergunto-me: com que moralidade? Embora o povo brasileiro o mereça, este governo não o merece. Temos um presidente que defende a tortura da ditadura e que omite casos de tortura em uma prisão do Estado do Pará e que ofende o alto comissário dos direitos humanos”.

Neste momento, os diplomatas brasileiros pediram a interrupção do discurso.

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