Divergências fazem CPI do Genocídio adiar relatório final

O presidente Jair Bolsonaro e mais 66 pessoas devem ter pedido de indiciamento incluído no texto, entre elas ministros e filhos do chefe do Executivo

A CPI do Genocídio decidiu a adiar a leitura e a votação do relatório final, elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). O texto seria apresentado oficialmente na terça-feira (19) e votado no dia seguinte. A comissão deve pedir o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro por 11 crimes.

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Segundo informações da jornalista Raquel Lopes, da Folha de S. Paulo, o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão, sugeriu o adiamento em reunião realizada pelo chamado “G7”, grupo de senadores de oposição e independentes, neste domingo (17).

“Tem muita divergência ainda, precisamos discutir. Em relação a indiciamento, tipificação de crime. A ideia é uma semana de vista”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE), titular da CPI, à Folha.

Em entrevista à CNN Brasil, Aziz afirmou que a leitura ficará para o dia 20 e a votação será no dia 26, na próxima semana. Ao Metrópoles, Calheiros defendeu um adiamento maior para a leitura.

Segundo a Folha, a imputação de Bolsonaro pelo crime de genocídio indígena e o indiciamento de Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) são algumas das controvérsias. Outro ponto que parece não ser consensual é a inclusão do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e atual ministro da Defesa, no relatório.

Trechos do possível relatório, de 1.052 páginas, foram antecipados pelo Estadão neste domingo. O texto imputar a Bolsonaro e ao ex-ministro Eduardo Pazuello, o mais longevo da pandemia, o crime de homicídio qualificado. Serão indiciadas 66 pessoas, incluindo os filhos do presidente, ministros e deputados da base bolsonarista.

Além de Pazuello e Braga Netto, podem ser incluídos Marcelo Queiroga, atual ministro da Saúde, e Onyx Lorenzoni, ministro do Trabalho.

Bolsonaro deve ser indiciado pelos crimes de pandemia com resultado de morte, infração a medidas sanitárias preventivas, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime, falsificação de documentos particulares, charlatanismo, prevaricação, crime contra a humanidade, genocídio de indígenas, crime de responsabilidade e homicídio comissivo por omissão no enfrentamento da pandemia.

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Atualização às 18h

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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