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11 de fevereiro de 2020, 19h57

Doria censura Garcia Márquez, Camus e Padura

O governo rejeitou doações de 240 exemplares de 12 obras destinadas a um programa de leitura para presidiários

Foto Valter Campanato/Agência Brasil

Depois do governo de Rondônia, comandado pelo bolsonarista Coronel Marcos Rocha (PSL), mandar recolher 42 livros das escolas do estado, foi a vez de uma restrição imposta governo de João Doria, em São Paulo, vir à tona nesta terça-feira (11). O governo teria recusado doações de 240 exemplares de 12 obras destinadas a um programa de incentivo à leitura em presídios.

Entre os nomes vetados estão dois vencedores do prêmio Nobel de Literatura, Gabriel Garcia Márquez e Albert Camus, uma vencedora do Prêmio Pullitzer de Ficção, Harper Lee, e o renomado escritor cubano Leonardo Padura.

Segundo reportagem de Rogério Gentile e Guilherme Seto, da Folha de S. Paulo, o programa Remissão em Rede, uma parceria do governo estadual com o Grupo Mulheres do Brasil empresas e editoras costurada durante a gestão de Márcio França (PSB), viu uma lista de 12 livros ser riscada pelo coronel Henrique Pereira de Souza Neto.

Souza Neto é o diretor executivo da Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” – Funap, entidade ligada à Secretaria de Estado da Administração Penitenciária que coordenada projetos em presídios do estado.

A revelação foi feita pela educadora Janine Durand, articuladora do projeto. Ela afirmou que o militar solicitou uma justificativa sobre a escolha de cada um dos livros. Mesmo com as escolhas explicadas, as doações não foram entregues.

Os títulos vetados são: “As Cartas Que Não Chegaram”, de Maurício Rosencof; “Vá, Coloque Um Vigia”, de Harper Lee; “Crônica De Uma Morte Anunciada”, de Gabriel Garcia Márquez; “O Estrangeiro”, de Albert Camus; ”O Fim de Eddy”, de Édouard Louis; “O Amor Que Sinto Agora”, de Leila Ferreira; “Bonsai”, de Alejandro Zambra; “Caderno de Memórias Coloniais”, de Isabela Figueiredo; “O Quarto Branco”, de Gabriela Aguerre; “Enquanto Os Dentes”, de Carlos Eduardo Pereira; “Cabo de Guerra”, de Ivone Benedetti; e “Paisagem de Outono”, de Leonardo Padura.

O “Remissão em rede” tem como objetivo estimular a leitura através da remissão da pena dos presos. Cada livro lido – com uma resenha escrita – representa menos quatro dias de prisão. Se for lido um título por mês, é possível reduzir 48 dias de pena por ano.


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