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01 de outubro de 2017, 09h34

Doria faz coro às cajazeiras e chama exposição de “libidinosa” e “absolutamente imprópria”

Em vídeo gravado neste sábado, o prefeito ataca a performance do artista Wagner Schwartz no MAM (Museu de Arte Moderna), na capital paulista, e a mostra "Queermuseu", em Porto Alegre.

Em vídeo gravado neste sábado, o prefeito ataca a performance do artista Wagner Schwartz no MAM (Museu de Arte Moderna), na capital paulista, e a mostra “Queermuseu”, em Porto Alegre.

Da Redação*

Doria, o prefeito turista, entrou no coro das cajazeiras e publicou neste sábado (30) um vídeo condenando performance do artista Wagner Schwartz no MAM (Museu de Arte Moderna), na capital paulista, e a mostra “Queermuseu”, realizada pelo Santander Cultural em Porto Alegre.

“Afrontam o direito, a liberdade e, obviamente, a responsabilidade”, diz Doria em vídeo publicado numa rede social.

Ele chamou de “libidinosa” e “absolutamente imprópria” a performance artística no MAM. “Peço que aqueles que promovem a arte no Brasil tenham consciência de que é preciso respeitar àqueles que frequentam os espaços públicos.”

No caso do MAM, a polêmica surgiu após fotos e vídeos da performance “La Bête”, realizada na última terça (26), viralizarem na internet.

As imagens foram captadas durante a apresentação do coreógrafo carioca Wagner Schwartz –nela, seu corpo nu pode ser manipulado pelo público. A performance, apresentada na abertura da exposição “Brasil em Multiplicação”, evoca um “Bicho”, obra manipulável da artista Lygia Clark (1920-1988).

Num desses vídeos, aparece uma criança, com a mãe, mexendo nas mãos e nos pés do artista nu. As imagens desencadearam uma onda de acusações de incitação à pedofilia. O Ministério Público de São Paulo abriu investigação para apurar se houve crime ou violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por parte da instituição, do artista ou da mãe da menina.

Ainda neste sábado à tarde, um protesto na porta do museu, reunindo cerca de 30 pessoas contrárias à performance, terminou em agressão contra funcionários.

O MAM afirma que, na ocasião em que a performance foi realizada, havia sinalização alertando sobre nudez e diz que “o trabalho não tem conteúdo erótico”. O museu ressaltou ainda que a criança estava com a mãe e lamentou “manifestações de ódio e de intimidação”.

Procurado pela Folha, o curador do museu, Felipe Chaimovich, disse que a exposição não será fechada e reafirmou que a performance “não tinha nenhum caráter erótico”.

OUTROS CASOS

A polêmica em torno da performance no MAM vem na sequência do fechamento da mostra “Queermuseu”, pelo Santander Cultural, em Porto Alegre, após campanha bem-sucedida de boicote à exposição promovida por grupos conservadores.

Em Campo Grande (MS), um delegado da Polícia Civil ordenou o confisco de um quadro em uma mostra.

Em Jundiaí (SP), um juiz proibiu a apresentação de uma peça que tem uma atriz transgênero no papel de Jesus.

Nesta quinta (28), em recomendação endereçada ao Santander Cultural, o Ministério Público Federal do RS afirmou que o fechamento de uma exposição remete a “situações perigosas da história, como o período nazista”.

O MPF recomendou “a imediata reabertura da exposição”, sob pena de “adoção das medidas judiciais cabíveis”.

O Santander reafirmou que a mostra não será reaberta.

*Com informações da Folha

 


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