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18 de fevereiro de 2020, 16h34

Doria sobe o tom contra Bolsonaro após insulto a Patrícia Campos Mello

Governador de São Paulo, que surfou na onda do "bolsodoria" para se eleger, é visto como um dos principais adversários do presidente nas eleições de 2022

Doria usa camiseta Bolsodoria na campanha 2018 (Arquivo)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), segue, ao menos no discurso, tentando se afastar do bolsonarismo. Nesta terça-feira (18), durante um evento do banco BTG Pactual em São Paulo, o tucano subiu o tom contra Jair Bolsonaro ao comentar o insulto feito pelo presidente contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo.

“Considero muito desrespeitosa a atitude do presidente, mais uma vez em relação aos jornalistas e em especial a uma jornalista mulher. Desrespeitosa, inadequada e condenável a atitude do presidente”, disparou o ex-apresentador de televisão.

Doria, que largou a prefeitura de São Paulo para se eleger governador em 2018, lançou, sem nem mesmo um acordo formal com o então candidato Jair Bolsonaro, a campanha “bolsodoria”, com o intuito de surfar na onda do bolsonarismo para se eleger. Atualmente, no entanto, o governador paulista é visto com um dos principais adversários do capitão da reserva na próxima eleição presidencial.

Novo insulto

Em entrevista na manhã desta terça-feira (18), quando voltou a falar com jornalistas, Jair Bolsonaro fez ilações sobre uma suposta ligação da repórter da Folha, Patrícia Campos Mello, “com o PT”, e ironizou as fake news propagadas pela milícia virtual sobre o depoimento do ex-funcionário da Yacows, Hans River.

“Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”, ironizou Bolsonaro, provocando risos em apoiadores que acompanharam a entrevista.

Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, Hans River disse que a jornalista da Folha teria oferecido sexo em troca de informações sobre a rede de fake news que atuou em prol de Bolsonaro durante as eleições de 2018.

Impeachment

O ataque de Bolsonaro contra a jornalista Patrícia Campos Mello abriu brecha para que começasse a se aventar a possibilidade de um impedimento do presidente. O termo “impeachment” chegou, na tarde desta terça-feira (18), à lista dos assuntos mais comentados do Twitter.

De acordo com informações do Brasil 247, deputadas e senadoras do Congresso Nacional estão reunidas na tarde desta terça-feira discutindo o pedido de impeachment de Bolsonaro, que será protocolado nos próximos dias e entregue ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O jurista Miguel Reale Jr, por sua vez, afirmou à revista Veja que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao proferir a ofensa à jornalista. Na opinião de Reale Jr., que foi um dos autores do pedido que levou a saída de Dilma Rousseff (PT), em 2015, do cargo, a forma como Bolsonaro se referiu à repórter Patrícia Campos Mello fere o decoro presidencial e permite que um processo de impeachment seja aberto contra ele.


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