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20 de agosto de 2019, 08h30

Durante a pré-campanha, Lava Jato escondeu repasse de Paulo Guedes a empresa de fachada

O então juiz Sergio Moro, responsável pelo caso, prendeu outras pessoas que também destinaram recursos ao escritório suspeito, mas anulou depoimentos contra Guedes e poupou o ministro

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em 2007, o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, realizou um repasse de R$ 560,8 mil a um escritório de fachada, suspeito de lavar dinheiro em esquema de distribuição de propina a agentes públicos do Paraná. No entanto, na denúncia que fez sobre o caso, em 2018, a Lava Jato não incluiu o nome de Guedes ou outros representantes de sua empresa. O caso ganhou apenas uma citação em nota de rodapé na peça de 138 páginas encaminhada à Justiça. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

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Na época em que o repasse foi feito, o agora ministro integrava a pré-campanha de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República. O repasse de R$ 560,8 mil foi feito em nome da GPG Consultoria, da qual Guedes foi sócio-administrador entre novembro de 2005 e outubro de 2018, à Power Marketing Assessoria e Planejamento, operada por um assessor do ex-governador Beto Richa (PSDB-PR).

O propósito do repasse, segundo os investigadores, era o de beneficiar a Econorte, do Grupo Triunfo, em concessões de rodovias. A Lava Jato afirmou ao jornal que a denúncia focou nas pessoas e empresas sobre as quais havia “prova robusta”, mas que a investigação prossegue. Os responsáveis por outras duas companhias que destinaram recursos ao escritório suspeito foram presos, denunciados e viraram réus de ação penal aberta pelo então juiz Sergio Moro, enquanto Guedes permanecia “ileso” de acusações.

Iniciativas para que o ministro explicasse o pagamento partiram dos réus, como Carlos Felisberto Nasser, operador da Power Marketing  e funcionário da Casa Civil do governo paranaense. A defesa de Nasser afirmou que o dinheiro desembolsado por Guedes foi pago pela GPG em troca de “serviços prestados”.

Porém, em outro momento, o próprio Nasser afirmou que sua empresa não funcionava e que os recursos desembolsados foram usados em campanhas políticas. O depoimento, no entanto, foi anulado por Moro em junho de 2018, acolhendo pedido da defesa do assessor. O então juiz declarou que o interrogatório era ilícito, pois o MPF não advertiu Nasser, que era advogado, de que tinha o direito de permanecer em silêncio.

Advogados de Nasser chegaram a listar como testemunhas o ministro e o irmão dele, Gustavo Guedes, sócio da empresa. Mas desistiram de ouvi-los três dias antes da data marcada para os depoimentos. A audiência estava agendada para 27 de agosto, em meio à campanha presidencial.


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