O que o brasileiro pensa?
21 de janeiro de 2020, 17h16

“É o mínimo”, diz Monica Benicio sobre mudança de posição de Moro no caso Marielle

No entanto, viúva de Marielle Franco não gostou das justificativas do ministro para mudar de posicionamento a respeito da federalização das investigações: "Lamentável"

Monica Benicio - Foto: Reprodução

A arquiteta, militante dos direitos humanos e ativista LGBT, Monica Benicio, viúva de Marielle Franco, criticou as declarações do ministro da Justiça, Sérgio Moro, sobre o caso, durante entrevista no programa Roda Viva, exibido nesta segunda-feira (20), na TV Cultura.

Na oportunidade, Moro disse que mudou de posição sobre a possibilidade de federalizar as investigações dos assassinatos de Marielle e Anderson Gomes.

“Acho pertinente que o ministro tenha revisto sua posição e que agora esteja de acordo com aquilo que nós, familiares, pedimos. Isso é o mínimo. Caso futuramente surjam evidências que apontem para a necessidade de federalizar, eu também não me incomodarei em mudar de posição. Mas dizer que faz isso para evitar que depois haja questionamento em âmbito internacional é lamentável”, afirma Monica.

Para ela, a resolução desse caso é fundamental para a democracia brasileira. “Afinal, a responsabilidade do país não se esgota ao concordar com a posição da família quanto à manutenção, neste momento, do caso nas instâncias estaduais, mas, sim, com a resposta sobre quem mandou e quais foram as motivações desse crime”, acrescenta a viúva de Marielle.

Resposta

“Defendemos, sobretudo, a segurança e a isenção na investigação e esperamos uma resposta para esse assassinato que completará dois anos sem que se saiba quem mandou matar Marielle. O sentimento de dor e injustiça permanece. Até quando?”, questiona.

Moro declarou no Roda Viva que mudou de opinião e passou a se opor à federalização das investigações dos assassinatos. O ministro afirmou que as críticas de familiares de Marielle à transferência de instância no caso o fizeram mudar de posicionamento.

“Quando eu externei publicamente essa decisão, de que achava conveniente essa federalização, familiares da vítima, da Marielle, falaram também publicamente que não queriam que fosse federalizado. E ainda levantaram – aqui, com todo o respeito, eu acho que de uma forma não muito justa – que a ideia de federalizar era para que aí o governo federal obstruísse as investigações”, disse.


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