Editor de revista dos EUA usada por Bolsonaro para defender a cloroquina desmente presidente

Joseph Alpert explicou que o artigo usado por Bolsonaro foi publicado “antes de termos bons dados sobre a cloroquina e sua ineficácia”

O editor-chefe do “The American Journal of Medicine”, revista médica dos Estados Unidos, desmentiu o artigo do periódico utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro para defender a eficácia da cloroquina no tratamento contra a Covid-19.

Nas redes sociais, Bolsonaro havia compartilhado o link do estudo e um comentário do jornalista Alexandre Garcia, que afirmou que o uso precoce da cloroquina estava salvando vidas no Brasil.

Sobre a pesquisa, o presidente comentou: “Estudos clínicos demonstram que o tratamento precoce da Covid, com antimaláricos, podem reduzir a progressão da doença, prevenir a hospitalização e estão associados à redução da mortalidade”.

Segundo Joseph Alpert, no entanto, o artigo usado por Bolsonaro foi publicado “antes de termos bons dados sobre a cloroquina e sua ineficácia”. As informações são de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

“A recomendação foi baseada na observação de que, in vitro, a cloroquina inibe a replicação viral. Mas, como sabemos agora, não é eficaz uma vez que o paciente adquira a Covid. Por isso, publiquei muito pouco sobre a Covid, porque o que se sabe hoje será diferente amanhã. Você deve apontar para seus colegas que as recomendações nesse artigo são “antigas” e que os dados mais recentes não suportam essa recomendação”, escreveu o editor em mensagem ao médico brasileiro Gabriel Sanches.

Apesar de estudos científicos não recomendarem o uso da cloroquina e contra a Covid-19, Bolsonaro e seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, continuam a insistir na recomendação do medicamento.

No mesmo dia em que o Instituto Butantan atestou a eficiência de 78% a 100% da CoronaVac, no início do mês, o ministro voltou a defender o tratamento precoce da doença com cloroquina e ivermectina.

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Luisa Fragão

Jornalista.