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28 de outubro de 2018, 20h56

Editorial: Uma eleição não sela o destino de um país

Os processos são muito mais longos e complexos do que imaginamos. Por isso é hora de cada um analisar qual será a melhor maneira de resistir e defender a democracia e os direitos humanos.

A eleição de Jair Bolsonaro com 55% dos votos não é o começo de um processo, muito menos o seu fim. É a continuidade de uma história que passou pelo golpe contra Dilma e a prisão de Lula.

O pacto da Lava Jato, que envolve amplos setores do judiciário, interesses empresariais e externos e boa parte da mídia assume o poder não só em nível federal. Assume também em diversos estados, principalmente do Sul e Sudeste, com governadores que representam a mesma ideologia de Bolsonaro.

Uma ideologia que vende ao país que a solução para todos os problemas é ter a bíblia numa das mãos, uma arma na outra e uma bandeira do país enrolada no corpo vai ter sua oportunidade no poder.

A partir de agora a pedra virou vidraça.

É um momento ruim, mas a vitória de Bolsonaro não é o fim de tudo. É a derrota parcial de um projeto de país que se pretendia mais humano, plural, respeitável internacionalmente e respeitoso com todo o seu povo.

Mas é apenas a derrota parcial.

Não existe vitória total nem derrota por inteiro.

Os processos são muito mais longos e complexos do que imaginamos. Por isso é hora de cada um analisar qual será a melhor maneira de resistir e defender a democracia e os direitos humanos.

Porque também não é hora de esconder o sol com a peneira.

Tempos duros virão. E a democracia e os direitos humanos estão ameaçados.

Haverá perseguições a adversários, uso do poder público para intimidações, ataques a nordestinos, lgbts, censura e outras tantas coisas. Porque Bolsonaro terá que entregar a uma boa parte daqueles que o elegeram aquilo que prometeu.

E foi isso que Bolsonaro prometeu. Exílio ou cadeia para os que não vierem a respeitar a nova ordem.

Mas se por um lado a situação que virá será dura, muito pior ela será se não houver resistência.

É fundamental que todos os atos de Bolsonaro que ultrapassarem a linha tênue que divide as democracias das ditaduras sejam combatidos com força.

Por todos os cidadãos.

Quanto maior for a força do lado de cá, menor será o sucesso do lado de lá.

Bolsonaro não pode se sentir o dono de um país em que teve 55% dos fotos a seu favor, mas por outro lado em que seu adversário teve 45%.

Uma eleição não sela o destino de um país.

Há um país pelo qual será necessário lutar. Cada um do seu jeito, com seus instrumentos, mas radicalizando a democracia.

É hora dos democratas que têm coragem.


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