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09 de agosto de 2019, 08h43

“Efeito guarda da esquina”: Falas agressivas de Bolsonaro estimulam violência policial e desmatamento

O número de pessoas mortas por policiais militares no estado de São Paulo cresceu 11,5% no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período no ano passado

Foto: Marcos Correa/PR

O aumento no número de pessoas mortas por policiais, os crescentes episódios de violência por parte das forças de segurança e o avanço no desmatamento na Amazônia caminham lado a lado com as declarações agressivas de Jair Bolsonaro. Especialistas sugerem que discurso do presidente estimule tal cenário.

“Efeito guarda da esquina”, termo utilizado pela primeira vez na época do AI-5, durante a ditadura militar, é o que explicaria esses aumentos. Em outras palavras, o termo é utilizado quando o discurso do presidente relativiza dados ou ações violentas de agentes de segurança, colocando a responsabilidade em outros fatores.

Em casos recentes, Bolsonaro atacou políticas ambientais, disse ser “capitão motosserra” e que são falsos os dados de desmatamento. Enquanto isso, houve um salto de 278% no desmatamento da Amazônia no mês de julho em relação ao mesmo período de 2018, segundo o Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

A violência policial também tem aumentado desde o início do governo de Jair Bolsonaro. O número de pessoas mortas por policiais militares no estado de São Paulo cresceu 11,5% no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período no ano passado. No Rio de Janeiro, outro recorde: nos primeiros seis meses do ano, a polícia foi responsável por 29% das mortes violentas no estado.

“O clima mudou. Não adianta você ter um comandante que seja contra isso [violência policial], pois quando o policial começa a ver que o país está querendo isso, que o governo está incentivando, ele, na ponta da linha, se sente autorizado”, comenta Rafael Alcadipani, professor da FGV e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em entrevista para o jornal Folha de S.Paulo.

A violência por disputas de terras, muitas vezes envolvendo latifundiários e povos indígenas, também pode ser avaliado sob a ótica do “efeito guarda de esquina”. Bolsonaro disse mais de uma vez esse ano que não pretende demarcar novas terras indígenas ou assentamentos e que pretende legalizar a exploração de minérios nesses territórios. Enquanto isso, segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra, houve 17 assassinatos motivados por conflitos no campo, 16 deles na Amazônia, região em que Bolsonaro tem demonstrado intenção de legalizar o garimpo.


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