Benedita: “Estou mexendo com as pessoas”

A candidata do PT à Prefeitura do Rio participou de entrevista coletiva nesta segunda-feira com a mídia independente

A candidata do PT à Prefeitura do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, participou nesta segunda-feira (26) de uma entrevista coletiva com diversos veículos da imprensa independente onde respondeu a questionamentos sobre as pesquisas eleitorais que saíram até o momento, o programa de governo apresentado por ela e as dificuldades de se fazer uma campanha em meio à pandemia do novo coronavírus.

Segundo levantamentos de Ibope e Datafolha, a deputada federal aparece empatada tecnicamente na segunda colocação com o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e a deputada estadual delegada Martha Rocha (PDT). Na última semana, ela ganhou um reforço na luta para enfrentar o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) no segundo turno, com uma carta assinada por artistas, intelectuais e lideranças sociais declarando apoio a ela.

“Nós tentamos fazer uma aliança no Rio. O PT se propôs a estar na vice de uma aliança com o PSOL, para que a gente pudesse atrair também outros partidos. Isso não foi possível. Talvez a cláusula de barreira tenha atrapalhado isso. Mas eu acredito que vamos nos somar no segundo turno, mas é preciso focar no primeiro. Estou animada, mais ainda com o manifesto espontâneo de pessoas da cultura, que não são do PT, mas que sabem a importância dessa eleição”, declarou.

“Nós deveríamos estar todos juntos desde o primeiro turno. Mas vida que segue. No segundo turno, tem que estar todo mundo juntinho. Espero que aqueles que não vieram no primeiro que possam vir no segundo”, completou, confiante.

Campanha nas ruas

Para Benedita, sua subida nas pesquisas está diretamente ligada ao início da campanha nas ruas. Veterana na disputa, com 78 anos, a parlamentar afirma que tenta tomar os maiores cuidados para evitar ser contaminada pelo novo coronavírus – que a fez perder uma irmã e um sobrinho –, mas que tem o compromisso que se encontrar com a população e colocar seu bloco na rua.

“Estamos indo para a rua com todos os cuidados. O presencial é o forte da campanha da esquerda, não tem jeito. O nosso investimento não é na competição digital, nós sempre fomos olho no olho. A subida começa quando eu fui para a rua, para o presencial”, definiu. “Quando você vai para a rua você chama as outras pessoas. Eu estou mexendo com as pessoas”, completou.

Evangélica

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Evangélica, a deputada disse que pede a Deus proteção durante essa campanha em um momento tão difícil. “Estou acreditando em um milagre e, até agora, não fiquei doente. Estou bem. Espero que continue assim”, disse.

Sobre a relação com a religião, Benedita destacou que é importante que a esquerda entenda que “existem evangélicos que votam com a esquerda, que entendem que a esquerda cuida mais da questão social”. “O segmento evangélico de esquerda sofre resistência e eu, como evangélica do segmento de esquerda, tento chamar atenção para essa falta de diálogo que a esquerda passou a ter, achando a igreja como ópio do povo e abrindo caminho para a direita se apoderar”, destacou.

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“A sociedade brasileira se organiza de formas diferentes. A igreja é um desses lugares, dá segurança para a população. Claro que há muitos interesses políticos. Não pensem que essas lideranças evangélicas que viraram verdadeiros empresários da fé não tenham interesses políticos, é claro que tem, o interesse é o poder”, avaliou. “Isso acontece porque nós não vamos para dentro fazer o confronto”, completou.

Antirracismo

A pauta antirracista também teve destaque na coletiva. “Nós estamos acordando um gigante: a campanha antirracista”, afirmou. “É preciso que governe essa cidade alguém que possa unir essa cidade. Chamar os brancos e brancas dessa cidade e dizer: ‘até agora nós te ajudamos a fazer fortuna, agora me ajude a dar aqueles menos favorecidos, que são majoritariamente negros e negras a terem uma vida decente’. Isso não é favor, é direito. O antirracismo é quando você que não é negro chega na sua consciência privilegiada e soma-se a essas lutas. Por isso que os brancos e brancas também estão nessa luta conosco”, declarou.

“Se tem alguma coisa nova na disputa eleitoral da cidade do Rio de Janeiro se chama essa candidatura negra de Benedita da Silva e Enfermeira Rejane. São duas mulheres negras que vem de mesma história, que batalharam e que tem o crivo da população”, completou. “Quero oferecer a minha cidade todos esses 40 anos de experiência, de derrotas e vitórias, para que a população da cidade do Rio de Janeiro seja antirracista, anti-homofóbica, que ela possa respeitar a diversidade que essa cidade tem”, disse ainda.

Carnaval

Benedita comentou sobre o polêmico apoio massivo das escolas de samba ao ex-prefeito Eduardo Paes. A posição uníssona da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) em favor do candidato do DEM gerou alguns conflitos internos em agremiações, como na Estação Primeira de Mangueira. Apesar da posição do presidente de seguir a Liesa, outros diretores da agremiação se rebelaram e declaram apoio a Benedita.

“Essa história da Mangueira… Na verdade, eu sempre achei que direção de escola de samba, Ministério de igrejas, diretoria de clube de futebol não devem dizer que a sua instituição está poiando A e B. Isso é uma agressão aos seus membros que não concordam com aquilo”, criticou. “Meu marido [Pitanga] é mangueirense, minha enteada é, e eu vou continuar gostando da Mangueira”, declarou.

Em seguida, a candidata apresentou propostas para a indústria do carnaval. “Nós já fizemos muito projetos da Mangueira, mas não só a Mangueira. As escolas têm que ser vistas como grandes empresas culturais. Elas empregam muita gente, qualificam muita gente. Nenhum gestor não deve desprezar. Tenho no meu programa, inclusive, essa questão de dar espaço para cultura e escolas de samba. No projeto da lei Aldir Blanc, que eu ajudei, as escolas foram incluídas. Quero que as escolas estejam no mapa e na agenda cultura. Cultura dá retorno imediato”, defendeu.

Outras propostas

A candidata ainda tratou sobre seu Plano Emergencial que deve ser implementado como forma de combater a pandemia e as consequências dela, a ampliação do Bolsa Família, a campanha de saúde da mulher, a criação da Moeda Carioca, a criação de uma Guarda Municipal feminina, o combate às milícias e a participação popular no eventual governo.

Além da Fórum, participaram da entrevista: Alma Preta, Geledés, Rede Brasil Atual, Barão de Itararé, TV Afiada, Mídia Ninja, Brasil 247, DCM, Blog da Dilma e Jornalistas Livres

Assista:

https://www.facebook.com/forumrevista/videos/805568353616250
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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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